Artigo - Do offshore à Economia Azul: o Rio de Janeiro e a nova agenda do mar

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No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho, é oportuno ampliar o debate sobre o papel do mar no desenvolvimento econômico. Para o Rio de Janeiro, o oceano não é apenas patrimônio ambiental ou vocação geográfica. É um ativo estratégico que influencia diretamente a segurança energética, a logística, a conectividade digital, a geração de empregos e a competitividade do país.

A proposta da Organização das Nações Unidas para 2026 — “Reimaginar: além do mundo que conhecemos, uma nova relação com o oceano” — reforça uma discussão cada vez mais urgente: como transformar o potencial econômico do mar em desenvolvimento sustentável e benefícios concretos para a população.


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Poucos estados brasileiros têm uma relação tão profunda com o oceano quanto o Rio de Janeiro. O estado concentra a principal cadeia energética do país, abriga alguns dos mais importantes complexos portuários da América Latina e reúne atividades estratégicas ligadas à indústria offshore, à logística, à pesquisa oceânica, à pesca e ao turismo.

É nesse contexto que a Economia Azul deixa de ser apenas um conceito e se consolida como uma estratégia de desenvolvimento.

O setor energético é um dos exemplos mais claros. As bacias de Campos e Santos concentram parte significativa da produção nacional de petróleo e gás natural. O pré-sal responde por cerca de 80% da produção brasileira de petróleo e 76% da produção de gás natural, grande parte localizada na costa fluminense.

Essa atividade gera investimentos, arrecadação e empregos, além de posicionar o Rio de Janeiro como principal polo energético do país.

Ao mesmo tempo, o estado avança em novas frentes ligadas à transição energética, com projetos de energia eólica offshore, eletrificação portuária e descarbonização das atividades marítimas, ampliando as oportunidades da Economia do Mar.

Os impactos dessa agenda, porém, não se limitam aos grandes investimentos. A recente redução das tarifas de gás natural no Estado do Rio de Janeiro, resultado da articulação entre Governo do Estado, Petrobras e Naturgy, beneficiou cerca de 1,5 milhão de motoristas que utilizam GNV, além de consumidores residenciais e setores produtivos. É um exemplo de como os recursos produzidos no mar podem gerar efeitos diretos sobre o custo de vida, a mobilidade e a competitividade econômica.

A relevância estratégica do oceano também se manifesta na logística e na conectividade. Cerca de 95% das importações e exportações brasileiras são realizadas por via marítima, enquanto mais de 95% do tráfego internacional de dados circula por cabos submarinos instalados no fundo do mar. Mercadorias, energia e informação dependem dessa infraestrutura oceânica, reforçando a importância dos portos e da segurança marítima para o desenvolvimento nacional.

O Rio de Janeiro é o único estado brasileiro a contar com uma secretaria dedicada exclusivamente às áreas de Energia e Economia do Mar. Essa visão integrada fortalece a conexão entre energia, portos, indústria offshore, qualificação profissional e atração de investimentos, criando condições para transformar vocações históricas em novas oportunidades da Economia Azul.

Com infraestrutura robusta, conhecimento técnico, capacidade industrial e protagonismo energético para assumir esse protagonismo, a tarefa que se impõe é transformar essas vantagens em desenvolvimento sustentável, inovação, geração de empregos e qualidade de vida. Afinal, o mar não é apenas uma fronteira econômica: é uma infraestrutura estratégica que sustenta energia, logística, conectividade e oportunidades. Reconhecer seu papel é fundamental para construir um Rio de Janeiro mais competitivo, resiliente e preparado para o futuro.

Gabriela CampagnaGabriela Campagna é subsecretária adjunto de Economia do Mar e subsecretária adjunto interina de Energia da Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (Seenemar) do estado do Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 






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