Artigo - Portos como Sistemas Complexos

Quem te ensinou a nadar? Foi o tombo do navio ou o balanço do mar... Difícil dar respostas simples para perguntas complexas. Com o porto é assim: simplificações não explicam.

Portos são sistemas complexos. Isto quer dizer que os portos existem como parte de um todo formado por muitas coisas — o mar, a cidade, as pessoas etc. — em um espaço com diferentes escalas — internacional, nacional, regional, local — sob várias influências — legislações, avanços tecnológicos, mudanças de mercado etc.

Os portos não deveriam ter fim em si mesmos, concentrar a busca da eficiência na leitura de resultados de movimentação de cargas, ser administrados apenas como negócios. Sabe o porquê?! Como é parte de um sistema complexo, os portos tanto impactam quanto são impactados, eles tanto transformam quanto são transformados.

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Portos são meios para o desenvolvimento do comércio internacional, são motores de desenvolvimento econômico, são também ferramentas de diferentes políticas. E, ainda, não se limitam à sua poligonal, são equipamentos gigantes que impactam na dinâmica e paisagem urbanas.

Sim, os portos devem buscar a geração de resultados financeiros positivos. Porém, o porto que se preocupa somente com o que acontece intramuros deixa passar grandes oportunidades que existem nos territórios onde se situam.

Ao entendermos os portos como parte de sistemas complexos podemos reposicioná-lo como agente de transformação e catalizador de impactos positivos. Na era do Capitalismo de Stakeholders, os portos devem buscar lucros com escolhas socialmente responsáveis. Digo mais, devem compreender seus resultados em termos de valor compartilhado.

Valor compartilhado é obter competitividade para os portos com progresso social! Desafiador? Sim... Afinal, não há respostas simples para perguntas complexas.

Flavia NicoFlavia Nico Vasconcelos é doutora em Sociologia e especialista em cidades portuárias. Desenvolve soluções de sustentabilidade para que os portos brasileiros e seus operadores implementem a agenda ESG e os ODS da Agenda 2030. Está contribuindo com a Secretaria de Portos/MINFRA, desde 2021, como Coordenadora Geral de Descentralização e Delegações.


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