Artigo - Engenharia naval, uma categoria resiliente

Sim, sou engenheiro naval. Sou formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e, posso dizer com tranquilidade, um profissional ativo no mercado.

Portanto, não foi à toa que fiquei tentado quando um colega naval, atuando em uma grande empresa brasileira, me perguntou se eu sabia de alguma pesquisa sobre remuneração dos engenheiros navais. Nunca ouvi nada a respeito, e uma pequena provocação deste meu colega em fazer um levantamento foi o suficiente para que eu me animasse de vez. Percebi que possuía o network e as ferramentas necessárias, foi só começar.

Obviamente aproveitei a oportunidade para fazer mais do que um levantamento de remuneração. As perguntas foram escolhidas com o objetivo de obter um panorama da atuação dos engenheiros navais no país. Muitos e-mails enviados, muitos novos contatos pelas mídias sociais. O retorno dos colegas navais foi excelente, acima do esperado, e entendo que o resultado da pesquisa cumpriu o objetivo desejado.

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A pesquisa foi totalmente anônima. Nome, e-mail, nome da empresa, nada que pudesse indicar quem são os respondentes foi solicitado.

São seis as universidades brasileiras reconhecidas pelo MEC para a formação de engenheiros navais: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Somos uma população de um pouco mais de 4000 engenheiros navais formados no país desde o início dos cursos de engenharia naval nestas universidades.

A pesquisa obteve 540 respondentes, uma amostra bastante representativa para a população de engenheiros navais.

Destacando alguns pontos da pesquisa, a maioria dos respondentes é do sexo masculino, com 86.2%. Entretanto, do total de respondentes do sexo feminino, 60.5% têm até 10 anos de experiência, indicando que há um crescimento do número de mulheres buscando a profissão.

E ainda falando de tempo de experiência, 43.1% dos respondentes têm até 10 anos de experiência, e 57.1% têm até 13 anos. Isso demonstra que apesar das dificuldades do setor naval no país, a engenharia naval continua se renovando.
A pesquisa indica que há uma boa distribuição de engenheiros navais trabalhando nos vários segmentos do mercado naval, mas mostra também que há vários atuando fora dele. Ficou registrado também um bom número de profissionais trabalhando fora do país, o que demonstra que nossa formação é de muito boa qualidade, permitindo que atuemos tanto fora do mercado como no exterior.

Áreas de atuação, localização, tempo de experiência, faixas de rendimento, benefícios, e várias outras informações poderão ser encontradas no relatório da pesquisa, o qual pode ser baixado clicando aqui.

É fato que há um alto nível de desemprego no segmento naval, e obviamente isso afeta os engenheiros navais. Mas ao ver o resultado da pesquisa, posso dizer que somos uma categoria resiliente, pronta para atuar tanto no mercado naval quanto fora dele. E considerando os desinvestimentos brownfield offshore por parte da Petrobras, novas plataformas de produção para o pré-sal, muitas plataformas para descomissionar, a chegada da eólica offshore, e toda a infraestrutura e apoio que todos estes ativos irão necessitar, não tenho dúvidas que nossa capacitação será bastante requisitada no país.

Acesso à versão integral do artigo em PDF - clique aqui

Antonio Souza é executivo com mais de 30 anos no mercado de O&G, atuando no upstream, midstream e na sua transformação energética


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