SÃO PAULO - O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou nesta quinta-feira, durante evento em São Paulo, que as perspectivas de investimento apontadas por estudos baseados nas consultas e projetos que passam pelo banco, o deixam otimista com relação ao Brasil.
“Eu enxergo o Brasil nos próximos quatro anos com relativo otimismo. Fazemos periodicamente, no BNDES, um panorama de investimentos para o país. Esse panorama cobre quase tudo que há de projetos em infraestrutura, dois terços dos investimentos industriais e boa parte da construção, por meio dos dados da Caixa Econômica Federal”, disse a uma plateia de empreendedores.
“O que esse panorama mostra é que, embora neste ano, que foi bastante volátil e difícil, tenham ocorrido postergações de investimentos, o fato é que o conjunto de projetos se manteve razoavelmente. Os empreendedores não desistiram do Brasil", complementou Coutinho. "O potencial da economia brasileira está lá, e isso me dá confiança de que temos condições de caminhar nessa direção.”
“Claro que há muitas reformas a fazer”, continuou o presidente do BNDES. “Mas eu não vejo nada que não possa ser endereçado para corrigir e retomar os desafios de maneira organizada.” Em sua fala, o executivo também defendeu a importância de estimular mecanismos de financiamento a pequenas e médias empresas, e citou a importância de programas do BNDES nesse sentido.
Segundo ele, o Cartão BNDES, que oferece linhas de crédito especiais a pequenas empresas, deve encerrar o ano com um desembolso de R$ 11 bilhões em desembolsos e um milhão de transações entre esses tipos de empresas. “O BNDES possui hoje 34 fundos (para pequenas empresas) que somam R $ 2,4 bilhões, e alavancam quase R$ 9,5 bilhões em investimentos.”
Ele defendeu também a ampliação de mecanismos de suporte e financiamento à pequena empresa no país e um envolvimento maior do mercado financeiro privado neste nicho, e disse acreditar que isso já vem evoluindo na última década. “Temos um problema estrutural no Brasil ainda, em termos de crédito para pequenas empresas, de prazos e condições adequados a suas necessidades”, disse. “O tamanho do suporte do mercado financeiro à pequena empresa demanda especificidades. O empreendedorismo em fase inicial é um negocio intrinsicamente de alto risco”.
Em sua visão, isso já evoluiu muito nos últimos anos. “Olhando o passado recente, vemos a multiplicação de fundos, de investidores anjos, incubadoras. Se olhamos a fotografia, hoje, parece pouco, mas quando olhamos o filme inteiro vemos uma grande expansão nas formas de capitalização para pequenas empresas”.
Fonte:Valor Econômico/Juliana Elias
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