Apesar da recessão, o Brasil foi o sexto maior destino de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2016, enquanto a Índia foi o décimo, mesmo sendo um emergente que cresce mais que a China com taxa média de 7% ao ano. Em 2015, o Brasil tinha sido o oitavo a atrair mais IED, e a Índia, o sétimo.
Os dados são da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). O Brasil registrou US$ 50 bilhões de IED em 2016, forte queda na comparação com US$ 65 bilhões no ano anterior. De acordo com os dados do Banco Central brasileiro, o fluxo de investimentos diretos (IDP) fechou 2016 em US$ 78,9 bilhões, ante US$ 75 bilhões em 2015.
A agência da ONU usa metodologia diferente, levando em conta o "princípio direcional", o fluxo de investimento direto e posições reportadas por um país. Alguns BCs preferem o princípio de ativo/passivo (inclui investimentos feitos por uma matriz em suas subsidiárias estrangeiras, porque esses investimentos são considerados ativos em país estrangeiro).
Em Davos, o presidente do Itaú, Roberto Setubal, havia declarado que o volume de fusões e aquisições no Brasil é significativo também este ano, em razão do preço baixo de ativos de importantes companhias brasileiras que atraem o estrangeiro.
A Índia atraiu US$ 59 bilhões de IED em 2015 e caiu para US$ 42 bilhões em 2016. A China continua a ser o terceiro país que mais atrai IED, com US$ 139 bilhões em 2016. Os EUA estão em primeiro lugar, com US$ 385 bilhões. Apesar do Brexit, que assustou o mundo dos negócios, o fluxo para o Reino Unido aumentou quase seis vezes e alcançou US$ 179 bilhões, o segundo maior volume globalmente. A expectativa é que o Brexit tenha efeito a partir de agora nas decisões das empresas.
Como previsto, globalmente o fluxo de IED caiu 13% para totalizar US$ 1,52 trilhão em 2016, em meio a crescimento medíocre e comércio internacional anêmico. Os países em desenvolvimento, afetados adicionalmente pela queda no preço de matérias-primas, tiveram contração de 20% no fluxo de IED, para US$ 600 bilhões.
Para 2017, a Unctad nota que os fundamentos econômicos apontam para um potencial aumento de 10% no fluxo de IED. A entidade espera que a atividade econômica nos países desenvolvidos e entre emergentes exportadores de commodities estimulem os investimentos. Mas a ressalva é sobre incertezas políticas, que podem afetar o fluxo de IED no curto prazo.
Fonte: Valor
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