Pode estar errado quem pensar que a eleição de 2014 será fácil, para Dilma Rousseff. O emprego na indústria está em queda há diversos meses; a confiança empresarial para investir pode ser medida pelos problemas dos leilões de portos, rodovias, ferrovias e aeroportos. Segundo o Banco Central, no terceiro trimestre, a economia encolheu 0,12%. A inflação está abaixo de 6%, mas o centro da meta do Governo é 4,5%; além disso, os preços controlados pelo governo estão artificialmente contidos, a começar pela gasolina- o que pode significar o adiamento de um grande problema.
Os juros básicos voltaram a subir e estão em 9,5%. E a grande maioria dos observadores aponta que, antes do fim do ano, a taxa Selic vai para dois dígitos, chegando a 10%. A insuspeita Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac) acaba de divulgar sua pesquisa de outubro. Em todas as linhas de crédito houve alta nos juros. Nos cartões de crédito, não houve elevação de setembro para outubro, mas, pudera: a taxa já é de inacreditáveis 192,9% - um nível fantástico, diante da taxa de inflação.
Os empresários que optaram por não aplicar seu dinheiro no mercado financeiro pagam taxa média de 95% na conta garantida e 31% no desconto de duplicatas. E industriais e comerciantes paulistanos terão de arcar com alta de até 35% no IPTU - no Rio, há indicações de que também será superior à inflação. Para pessoas físicas, a taxa do cheque especial é de 148%. Um dia, juros altos vão representar desemprego.
A presidente Dilma não é responsável por esse descalabro nos juros. Mas iniciou um processo de redução que foi abortado, segundo os especialistas, devido à evidência de gasto excessivo na área pública. Portanto, com realismo, o cenário não é róseo. E, diante de expectativas preocupantes na economia, tudo pode ocorrer na política.
Fonte: Monitor Mercantil/Sergio Barreto Motta
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