Com avanço da ordem de 80% das obras físicas do projeto Horizonte 2, em Três Lagoas (MS), e evolução do lado financeiro em quase 60%, Marcelo Castelli, presidente da Fibria, disse ontem, em teleconferência, que considera possível antecipar inauguração da nova linha de produção nesse site. O início de operação está oficialmente marcado para os primeiros dias de outubro. Segundo o executivo, ao fim de março uma atualização desse calendário será divulgada ao mercado.
Segundo Castelli, há alguns riscos à entrega da construção no momento, como a temporada de chuvas na região, que obrigam uma espera de mais tempo. Em 2017, a produção da linha de Horizonte 2 já é estimada entre 300 mil e 400 mil tonelada. Para 2018, estima-se 1,3 milhão de toneladas.
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O projeto é uma das grandes apostas para diluir seus gastos e ajudar a reduzir o custo caixa de produção da empresa, um dos pontos de preocupação de analistas e investidores.
Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a empresa prevê investir R$ 2,2 bilhões este ano, uma queda de 10% em relação aos R$ 2 bilhões de 2016. Os valores não consideram os aportes no Horizonte 2. Considerando o projeto, foram investidos no ano passado R$ 6,2 bilhões, 25% abaixo do previsto inicialmente, de R$ 8,2 bilhões, devido à redução de gastos após revisão da execução financeira. Para 2017, o total de desembolso estimado é de R$ 5,2 bilhões, sendo R$ 3 bilhões na nova linha.
Horizonte 2 terá capacidade de produção de 1,95 milhão de toneladas por ano, com investimento total de R$ 7,5 bilhões. Desse valor, R$ 3,2 bilhões vão ser desembolsados em 2017 e 2018.
Para a Fibria, o primeiro semestre sinaliza um cenário de preços da commodity "mais positivo" do que a expectativa anterior, afirmou Castelli. "Temos uma visão muito mais de estabilidade do que estresse grande, que é um cenário já melhor do que esperávamos. O consenso é de que o primeiro semestre terá uma recuperação e não vejo choques drásticos nesse momento", afirmou, durante comentário do balanço de 2016.
A avaliação é que, apesar de uma demanda asiática melhor diante de estoques mais reduzidos existentes, novos ajustes de preços serão avaliados com base no comportamento do mercado depois dos anúncios que foram realizados para janeiro e fevereiro. A leitura, por enquanto, é que a demanda asiática favorável se mantenha no segundo trimestre.
Para a segunda metade do ano, a empresa tem a perspectiva de "uma movimentação de preços maior", mas também sem queda abrupta, com relativa estabilidade. "Agora, se vamos conseguir sustentar [o patamar de preços], não sei dizer", afirmou Castelli.
Os aumentos de preço anunciados pela Fibria em outubro e dezembro foram implementados no mercado, diante da forte recuperação da demanda pela commodity na Ásia no fim do quarto trimestre, disse o executivo. "Por causa disso, fomos capazes de anunciar um novo reajuste no começo de janeiro, incluindo aí os mercados da América do Norte e Europa", ressaltou. Avalia que o reajuste de US$ 30 a tonelada para janeiro e fevereiro também estão implementados.
As ações da companhia - que tem BNDESPar e grupo Votorantim como acionistas controladores - sofreram ontem a maior queda do Ibovespa, de 6,84%, encerrando o pregão a R$ 29,44. Para o banco Credit Suisse, em relatório, o resultado do quarto trimestre foi abaixo do esperado devido aos menores preços da celulose, da valorização do real e dos altos custos de produção, os quais vêm deteriorando as margens da fabricante. O UBS opinou que até as vendas ficaram abaixo de suas projeções. E como aposta na reversão da tendência de aplicação de reajustes no segundo semestre, prevê um cenário ainda pior.
Já o BTG Pactual tem perspectiva é boa para a Fibria, embora ainda esteja abaixo de seu potencial. Avalia que Horizonte 2 será essencial para diluição de custos.
Fonte: Valor