A recuperação do preço do petróleo está estimulando empresas estrangeiras a voltarem a investir em exploração no Brasil. Sem perfurar poços no país desde 2014, quando os preços da commodity começaram a cair, a francesa Total e a norueguesa Statoil anunciaram planos de voltar a explorar o mar brasileiro.
Outra companhia que planeja investir é a australiana Karoon, que pretende abrir dois poços para avaliar melhor a descoberta de Echidna, na camada póssal da Bacia de Santos. No ano passado, a Repsol Sinopec foi a única estrangeira que perfurou um poço exploratório, na Bacia de Campos, para avaliação da descoberta de Gávea.
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A Total vai investir, a partir deste ano, US$ 300 milhões num primeiro ciclo exploratório em águas ultraprofundas da Bacia do Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A empresa prevê perfurar até nove poços, entre 2017 e 2020, naquela região. Os equipamentos já chegaram ao Porto de Belém e a petroleira francesa aguarda licença para iniciar a campanha exploratória.
A Statoil tem como alvo a costa capixaba. A petroleira tem planos de iniciar em 2017 as primeiras perfurações nas quatro concessões arrematadas na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A empresa norueguesa, que adquiriu fatia de 66% da Petrobras na concessão BMS8 (Carcará), na camada présal da Bacia de Santos, informou que o programa de perfuração de um poço na área de Guanxuma, pertecente a essa concessão, está em fase de planejamento e deve ocorrer no fim deste ano.
Os investimentos de Total e da Statoil marcam as primeiras perfurações em blocos offshore da 11ª Rodada, quatro anos após a realização do leilão. A licitação foi considerada um sucesso porque atraiu investimentos estimados, na ocasião, em US$ 3,4 bilhões. O início da exploração foi prejudicado, porém, por dificuldades de licenciamento, sobretudo na margem equatorial, e pelas restrições nos caixas das companhias, afetados pela queda dos preços do barril.
De acordo com a consultoria Wood Mackenzie, as petroleiras devem aumentar em 3%, para US$ 450 bilhões, os investimentos neste ano em exploração de petróleo em todo o mundo, graças ao fato de o preço do barril estar acima de US$ 50.
Fonte: Valor Econômico/André Ramalho