Na abertura da Navalshore, presidente da subsidiária da Petrobras destacou que fortalecimento da empresa contribuiu para retomada da indústria naval brasileira
O presidente da Transpetro, Sergio Bacci, afirmou, nesta terça-feira (18), na abertura da 20ª Navalshore, que as transformações conduzidas nos últimos quatro anos fortaleceram a empresa, afastando de vez o ‘fantasma da privatização’, e contribuíram para propiciar a retomada da indústria naval brasileira. Ele destacou a importância da Navalshore para o setor naval, que enfrenta mudanças e desafios a cada mudança de governo.
“Essa é a quarta Navalshore de que participo [como presidente da Transpetro] e posso afirmar que muita coisa mudou na feira, na indústria naval e na Transpetro. A empresa passou por uma grande transformação, abandonando o risco de privatização. Nesses últimos anos, a companhia readquiriu seu protagonismo no Sistema Petrobras, retomou os investimentos e ampliou a oferta de serviços em rotas logísticas para atender mais clientes. Nesse período, rodamos três licitações para a aquisição de 16 navios, com investimentos de, aproximadamente, R$ 7 bilhões, 13 delas serão construídas no país”, destacou Bacci.
Ele fez um apelo ao setor de cabotagem, afirmando que é uma das 12 associadas da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), mas é a única que está construindo no país. “Convido a Abac a investir na indústria naval brasileira”, afirmou o presidente da Transpetro. Empresas desse segmento, em especial armadores de contêineres, não vêm construindo em estaleiros nacionais nos últimos anos, após algumas experiências frustrantes com atrasos em entregas de navios.
Bacci ressaltou que, ao lado da Petrobras, a Transpetro é, atualmente, a maior demandante da indústria dos estaleiros brasileiros e que isso só foi possível com muita luta, conseguindo, criar e utilizar um arcabouço técnico e jurídico que deu à indústria naval nacional a capacidade de competir com os estaleiros internacionais.
“Foi uma articulação trabalhosa, mas bastante exitosa e o setor já comemora a retomada das encomendas. É sinal de que estamos no caminho certo, avançando com sustentabilidade. Além dos quatro navios Handy, dos oito gaseiros e dos quatro MR1 (Medium Range 1), a Transpetro também adquiriu, por meio de sua subsidiária na Holanda, a TIBV, nove navios aliviadores que vão permitir o transporte de até 13 milhões de barris de petróleo, simultaneamente. Estamos prontos para atender a demanda de logística crescente do aumento de produção e refino da Petrobras. Considerando essas contratações, a frota própria da Transpetro passa a atender à cabotagem e o alívio chegará a 51 embarcações até 2030”, disse Bacci.
Essas embarcações permitem que a Transpetro amplie a oferta de serviços de frete e cobertura de bandeira que começará a ser oferecido no início de 2027. A Transpetro também atua no combate à emergência e apoio marítimo, após a incorporação da PB-Log, subsidiária da Petrobras. “Estamos ampliando a oferta de serviços e buscando mais clientes e novos negócios, uma diretriz estratégica que traçamos desde o início da gestão. Os resultados financeiros comprovam que a estratégia está dando certo. Em 2023, o lucro líquido foi de R$ 498 milhões em 2024, atingimos R$ 866 milhões e, em 2025, ficamos acima de R$ 1 bilhão. Ou seja, mais que dobramos o lucro em três anos e sem vender nenhum ativo”, reiterou Bacci.
Ele afirmou que a empresa tem um horizonte amplo de crescimento com o ingresso em novos modais como a navegação interior, com a aquisição de 18 barcaças e 18 empurradores. A primeira barcaça será lançada ao rio pelo estaleiro Bertolini na próxima semana e tem entrega prevista para o início de outubro. “A estratégia inicial para essa operação é assumir o abastecimento de bunker nos principais portos do país, como Santos, Belém, Paranaguá, Rio Grande e na Baía da Guanabara. A Transpetro é a maior operadora logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina e temos ativos em todas as regiões. Estamos reforçando nossa multimodalidade para potencializar ainda mais essa capilaridade e nossa capacidade de atendimento a clientes que precisam transportar energia para todas as partes do país”, sinalizou o presidente da Transpetro.
Ele ressaltou ainda a retomada do papel como empresa estatal que apoia o desenvolvimento econômico e social da população. A empresa tem ações de responsabilidade social investindo mais de R$ 28 milhões em duas linhas. A intervenção nas faixas de dutos com a construção e de áreas de socialização e hortas comunitárias. Citou a criação do Programa Transformar que oferta vagas de qualificação profissional em todo o país. “As ações nas faixas de dutos são essenciais para tornar essas comunidades nossas aliadas no combate às derivações clandestinas dos nossos dutos. Desde 2023, já concluímos 12 hortas comunitárias e 22 áreas de socialização”, concluiu o presidente da Transpetro.
