WASHINGTON - O câmbio está “mais amigável” ao setor exportador brasileiro, disse nesta quinta-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Armando Monteiro, ao comentar o nível atual da moeda brasileira. Segundo ele, é possível perceber claramente que as exportações voltaram ao radar das empresas brasileiras, nas consultas que têm sido feitas pelo ministério para a formulação do plano nacional de exportações.
Em viagem a Washington, Monteiro disse que um plano como esse se torna especialmente oportuno num momento em que o real mais barato oferece uma “janela, uma oportunidade”. Ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ele afirmou que o longo período de apreciação do câmbio foi muito duro para a indústria brasileira. Monteiro destacou, porém, ser muito complicado falar num nível de câmbio ideal. “Ele sempre haverá de refletir os fundamentos da economia. Não cabe falar de uma maneira como se fosse algo artificial.”
Monteiro preferiu não dizer qual seria um “nível amigável” para a moeda americana, mas disse que a fase do “câmbio hostil está passando”. Com o real mais barato e a perspectiva de uma melhora na conta petróleo, que teve um déficit de US$ 16 bilhões em 2014, ele acredita que a balança comercial pode inclusive ter um resultado positivo na balança comercial neste ano. No ano passado, houve um déficit de US$ 3,9 bilhões.
Segundo ele, o câmbio vai ajudar a produzir um resultado melhor na balança comercial brasileira, atuando nas “duas direções”, uma vez que ele barateia as exportações brasileiras e encarece as importações. Além disso, a queda dos preços do petróleo deve levar a um rombo menor no déficit desse produto. Para completar, há expectativa de um aumento dos volumes nas exportações de grãos, ainda que os preços possam não estar favoráveis. De qualquer modo, lembrou Monteiro, as commodities agrícolas caíram menos do que as minerais.
O ministro reuniu-se na quarta-feira com a secretária de Comércio, Penny Pritzker, e nesta quinta-feira com o Representante Comercial da Casa Branca (USTR, na sigla em inglês), Michael Froman. Também teve um almoço na Câmara de Comércio Americana.
Fonte: Valor Econômico/Sergio Lamucci
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