Executivos brasileiros mostraram ontem um otimismo comedido com o desempenho da economia brasileira em 2017. Depois de dois anos de números fracos, os líderes de grandes empresas começam a ver indícios de melhora nos negócios, mas esperam crescimento mais robusto apenas no segundo semestre. As perspectivas foram debatidas em evento da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).
"Temos ouvido questionamentos a respeito da situação do Brasil, mas eu não desisto do país", disse Suzan Rivetti, CEO da Johnson & Johnson para América Latina. Segundo a executiva, a empresa se prepara "para o crescimento que vai vir" no segundo trimestre e acelerar no terceiro e quarto".
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Luciano Corsini, presidente da HP Enterprise, braço da Hewlett Packard valorizou a previsibilidade: "Não dá mais para ter solavancos. A gente recebe questionamentos a respeito da Lava-Jato, da Petrobras, que é nossa maior cliente". Depois de conquistar crescimento de dois dígitos em 2015, "o melhor momento dos últimos cinco anos", a empresa apresentou "crescimento de um dígito baixo" em 2016, cenário que deve se repetir neste ano. A HP "continua apostando no Brasil, mas talvez com um pouco mais de precaução".
Os executivos fazem questão de mostrar apoio à agenda de reformas. Para Paulo Correa, CEO da C&A, "as reformas ideais economicamente talvez não sejam possíveis". Mas "já seria um avanço conseguir alguma reforma trabalhista e previdenciária, conseguir a melhor reforma possível". A queda dos juros, segundo o executivo, deve ter impacto positivo: "Isso dá tranquilidade maior".
Segundo votação eletrônica com os 326 executivos presentes ao evento, 88% consideram que o ano será de recuperação, enquanto outros 7% apostam em "crescimento expressivo" em relação a 2016 e 5% esperam números negativos. Além disso, 53% dos executivos já percebem resultados comerciais levemente positivos nos primeiros 40 dias deste ano.
Mediador do debate, o economista Octavio de Barros resumiu o sentimento dos presentes. "Não é otimismo, mas estamos diante de algo mais alvissareiro no médio prazo", disse. "Está com pinta de que temos potencial de ter alguma surpresa."
Fonte: Valor