O analista Lars Jensen, da consultoria Xeneta, especializada em transporte marítimo, prevê que se os preços do combustível se mantiverem nos níveis registrados em abril, o custo operacional anual do setor marítimo poderá aumentar em 50% em 2026, com acréscimo de 20 bilhões de dólares. Segundo Jensen, os preços do combustível marítimo subiram até 75% no pico do início de abril e permanecem cerca de 60% mais altos do que em março e abril do ano anterior.
O caso da Hapag-Lloyd é citado como exemplo, já que a empresa informou gastos de cerca de 2,9 bilhões de dólares com combustível marítimo e emissões em 2025. Se os preços do produto permanecerem este ano 50% acima dos cobrados no passado, a expectativa é de acréscimo de cerca de 1,5 bilhão nos custos anuais da empresa.
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Esse aumento de preços levou as companhias a adotarem sobretaxas, como a Sobretaxa de Combustível de Emergência (EFS, na sigla em inglês) e a Sobretaxa de Alta Temporada (PSS, na sigla em inglês). Nesse contexto, a plataforma Drewry, especializada em fretes marítimos, indica que a MSC aumentou a EFS na rota Ásia-Estados Unidos de 430 dólares para 644 dólares por FEU, enquanto a CMA CGM introduziu uma PSS de 2.000 dólares por FEU. O objetivo foi repassar parte do aumento de custos aos clientes.
Além disso, companhias de navegação continuam a usar cancelamentos de viagens como ferramenta de ajuste. A Drewry prevê aproximadamente 43 cancelamentos em maio e junho, equivalentes a 6% das viagens programadas. As interrupções concentram-se principalmente nas rotas da Ásia para Europa pelo Mediterrâneo, com 42% do total, e Transpacífico, no sentido leste, com 40%. A Drewry espera ainda reduções de capacidade de até 10% ao mês na rota Ásia-Mediterrâneo durante o mês de maio.
O impacto do preço do combustível reflete nos fretes no segmento de transporte de contêineres, embora ele mostre sinais de estabilização operacional. Segundo a Xeneta, em 30 de abril, as taxas spot nas rotas da Ásia para os Estados Unidos permaneciam elevadas: de 2.864 dólares por FEU para a Costa Oeste (USWC) e de 3.873 dólares por FEU para a Costa Leste (USEC). Esses valores estão acima dos níveis pré-crise do Golfo Pérsico.
Mas, segundo Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, as cadeias logísticas que as companhias de navegação construíram em torno da crise no Oriente Médio estão funcionando com regularidade suficiente para que as taxas spot comecem a refletir um ambiente operacional mais estável, embora ainda elevado. Ele alerta que “o impacto do conflito no Oriente Médio está tornando a vida cada vez mais complicada para os proprietários de cargas”, que enfrentam simultaneamente interrupções, altas taxas e decisões complexas na negociação de contratos de longo prazo.
O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry registrou, no entanto, sua terceira queda semanal consecutiva, recuando 1% para 2.216 dólares por FEU. Essa tendência, avaliou a plataforma, reflete uma combinação de demanda enfraquecida e excesso de capacidade, fatores que exercem pressão para baixo sobre as tarifas, apesar do contexto de altos custos e riscos geopolíticos. Na rota Ásia-Europa, as taxas de Xangai para Gênova e Roterdã ficaram em 3.039 dólares por FEU e 2.127 dólares por FEU, respectivamente.












