O Instituto Aço Brasil anunciou, nesta quinta-feira (28), a revisão de suas projeções para a indústria do aço em 2025. Com base nos resultados dos sete primeiros meses do ano, a previsão é que a produção caia 0,8%, para 33,6 milhões de toneladas, e as importações de laminados disparem 33,2%, para 6,3 milhões de toneladas. Em dezembro, a entidade havia previsto queda de 0,6% na produção e alta de 11,5% nas importações. As justificativas para a mudança de expectativas são o que a entidade chamou de “importações desleais”, que desde 2023 invadem o mercado brasileiro, e o acirramento das disputas comerciais em nível global que ampliam as incertezas sobre o setor.
Foram revistas ainda as projeções de vendas internas, de queda de 0,8% para queda de 0,6%, e de consumo aparente, de alta de 1,5% para alta de 5%, puxada pelas importações. Para as exportações de aço, para as quais o Instituto previa alta de 2%, a expectativa agora é de elevação de 1%. Somados, os volumes projetados para importações diretas e indiretas chegam a 12,4 milhões de toneladas, a maior parte vinda da China, que já tem no Brasil o maior destino ocidental do aço que produz.
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Segundo a direção do Instituto, o Aço Brasil reconhece os esforços do governo brasileiro para tentar conter as importações ao implementar, em junho de 2024, o mecanismo Cota-Tarifa, que prevê tarifa de importação de 25%. Além disso, a medida estabeleceu cotas com base na média de importações entre 2020 e 2022 acrescida de 30% dessa média, inicialmente, para nove produtos (as chamadas NCMs, ou Nomenclaturas Comuns do Mercosul). O instrumento foi prorrogado e ampliado para 14 produtos, em junho de 2025, e estendido para 16, neste mês.
Segundo Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, o volume de importações desleais de aço laminado este ano deverá atingir o triplo da média histórica. “Essa concorrência desleal rouba o equivalente a um terço do mercado brasileiro do aço, o que tem levado o setor a uma situação extremamente preocupante, que ameaça toda a cadeia”, afirmou.
André Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, disse que a indústria brasileira do aço vive os efeitos de um cenário global desequilibrado pelas ações e reações dos países diante das importações desleais e que é urgente que o Brasil utilize de forma mais eficaz os mecanismos de defesa comercial disponíveis. “Está sob ameaça toda a cadeia produtiva do aço e metalmecânica, com sua capacidade de investir, inovar e gerar empregos. O Brasil precisa se unir para preservar a capacidade dessa cadeia de contribuir para o desenvolvimento do país e a segurança nacional”, afirmou.