RIO DE JANEIRO - Operários encerraram ontem, quarta-feira, uma greve de dois dias no estaleiro da OSX no porto do Açu, após atrasarem a construção e bloquearem um complexo industrial de propriedade do bilionário Eike Batista.
O bloqueio feito por trabalhadores sob contrato com a empresa espanhola de construção Acciona levou praticamente todos os 8.500 trabalhadores do extenso complexo portuário a paralisar seus trabalhos, disse um líder sindical.
O porto é de propriedade da LLX Logística, controlada por Eike. A Acciona é uma das principais empreiteiras construindo o estaleiro da OSX, também controlada pelo empresário.
"A greve está acabada. À tarde nós tivemos uma reunião de negociação... essa negociação foi bem sucedida", disse à Reuters o porta-voz da Acciona, Leandro Costa.
"Amanhã (quinta-feira) a gente deve retomar normalmente."
Quase 150 empresas atuam nas obras em Açu, situado no norte do litoral fluminense. Os operários realizaram bloqueios a estradas que dão acesso ao porto, em São João da Barra.
"Não passa nem uma agulha", disse mais cedo à Reuters o presidente do Sindicato da Construção Civil do Norte e Nordeste do Estado do Rio de Janeiro, José Carlos da Silva Eulálio.
A Acciona está atrasando os pagamentos dos salários, negou o pagamento de horas extras, quebrou regras de classificação de funções e tem negado licenças aos trabalhadores, alguns dos quais não conseguem visitar suas famílias há 8 meses, disse o líder sindical.
A greve é o último de uma série de problemas enfrentados por Eike e seu Grupo EBX, sediado no Rio de Janeiro, com atividades no setor de petróleo, eletricidade, mineração, construção naval, portos e imobiliário, que tem visto as ações das empresas que controla despencarem 70 por cento ou mais no último ano.
A queda nas ações reduziu em cerca de 20 bilhões de dólares o valor da fortuna de Eike e o fez perder o título de homem mais rico do Brasil.
A desvalorização acionária começou após poços de petróleo não produzirem tanto quanto esperado, projetos de mineração, portos e eletricidade atrasarem e as dívidas subirem, elevando temores de que o bilionário ficaria sem capital antes dos projetos se tornarem totalmente operacionais.
Funcionários da Acciona em Madri, na Espanha, não responderam imediatamente a telefonemas e pedidos de comentários por e-mail.
Mais cedo, os assessores da LLX no Porto do Açu negaram que houvesse uma greve, mas somente uma paralisação dos trabalhadores e um bloqueio, apesar de não serem imediatamente capazes de dizer quantos trabalhadores no local estariam trabalhando.
Segundo a LLX, a paralisação de funcionários da Acciona não interferia no cronograma das obras.
(Fonte: Reuters/Jeb Blount e Rodrigo Viga Gaier; reportagem adicional de Caroline Stauffer, em São Paulo)
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