O Brasil celebra o crédito aprovado, mas raramente mede o intervalo até a contratação e o desembolso. Em projetos intensivos em capital, esse tempo pode transformar financiamento barato em investimento caro, destruindo valor antes mesmo de a obra terminar.
Existe uma distorção persistente no debate brasileiro sobre política de crédito. Quando um governo anuncia bilhões de reais para investimento, a aprovação costuma ser tratada como resultado final. A cifra ganha manchetes, os projetos são apresentados e a política pública parece concluída. Mas, entre a decisão de priorizar um empreendimento e o dinheiro efetivamente disponível para pagar estaleiros, equipamentos e fornecedores, existe uma etapa menos visível, e economicamente decisiva.
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Aprovação não é contratação. Contratação não é desembolso. E desembolso tardio pode significar que o investimento, embora formalmente apoiado por capital de longo prazo, seja executado durante meses ou anos com recursos de curto prazo e custo muito superior.
Leandro de Carvalho Henrique é mestrando em Administração de Empresas pelo Ibmec Rio | Head de Tesouraria na Camorim Serviços Marítimos S/A.
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