À margem de denúncias e crise, o mercado nacional de petróleo apresenta uma fase positiva. O país avança tanto na produção de petróleo como em tecnologias paralelas ao esforço nacional para mais eficiência no setor. A Petrobras foi homenageada pela prospecção em água ultraprofundas na maior feira do setor no mundo, a Offshore Technology Conference, em Houston, no estado norte-americano do Texas. No Rio, o Sindicato Nacional dos Oficiais de Marinha Mercante (Sindmar) organiza, pela segunda vez, conferência internacional sobre um tema complexo, o posicionamento dinâmico – DP, na sigla em inglês – que se refere ao uso intenso da tecnologia para posicionar um navio junto a plataforma ou porto. A conferência é a 2ª DP Brasil, aberta pelo vice-presidente do Sindmar, José Válido.
A Shell foi pioneira em DP, em 1961, com o Eureka, navio com dois propulsores que podia girar 360 graus e mantinha a posição junto às plataformas sem intervenção do operador. Nos anos seguintes, a evolução em DP foi enorme. Hoje, instrumentos sensíveis monitoram vento e maré e enviam dados para os propulsores combaterem essas forças e manterem as embarcações paradas ou movê-las dentro de faixa específica junto a portos ou plataformas. Trata-se de um ramo da tecnologia que evolui a cada dia e que, antes restrito ao Hemisfério Norte, agora se consolida no Brasil, em paralelo com a expansão nas bacias de Campos e Santos e com a ênfase no pré-sal.
Diretor do Centro de Simulação Aquaviária (CSA) do Sindmar, Jaílson Bispo afirma que a 2ª DP Brasil coloca o país entre a elite que estuda e discute o sofisticado tema. Localizado no Rio, o CSA já ofereceu treinamento a 2 mil marítimos, fez análises para capacitar portos e terminais e realizou importante trabalho com os supernavios de 400 mil toneladas da Vale, os Valemax.
– Antes de saírem do estaleiro, o CSA fez modelagem matemática desses navios, treinando práticos e comandantes das embarcações, o que coloca o centro em posição de vanguarda no país – disse Bispo. O CSA está instalado no Rio, mas sua expansão física levará a unidade a ser transferida, até 2018, para Teresópolis (RJ), onde disporá de novos avanços tecnológicos e maior área para treinar pessoal.
Em relação ao cenário interno, Jaílson Bispo comentou que o desemprego, gerado pela crise em torno da Petrobras, preocupa o Sindmar. Revelou que a lista do sindicato já conta com 500 nomes de marítimos desempregados, uma vez que, com a crise, a estatal reduziu a demanda por muitos serviços, especialmente em relação ao setor offshore (barcos de apoio).
Fonte: Monitor Merantil/Sergio Barreto Motta
PUBLICIDADE