A Autoridade Marítima do Panamá (AMP) anunciou nesta terça-feira (24) a assinatura de contratos temporários com a APM Terminals, subsidiária da Maersk, para operar o terminal de Balboa, e com a Terminal Investment Limited (TiL), o braço portuário da MSC, para o terminal de Cristóbal. Os terminais ficam em extremidades opostas do Canal do Panamá e, segundo a AMP, as duas empresas escolhidas para administrá-los assumirão a gestão enquanto realiza processo de seleção dos operadores permanentes.
Juntos, os terminais movimentaram 3,77 milhões de contêineres em 2025, o equivalente a 38% do sistema portuário panamenho. O anúncio foi feito depois que o governo do Panamá formalizou o término da concessão à Panama Ports Company (PPC), subsidiária da holding chinesa CK Hutchison, com a publicação, em 23 de fevereiro, no Diário Oficial do país da decisão de 30 de janeiro do Supremo Tribunal panamenho que declarou inconstitucional a lei contratual em vigor desde 1997 para a operação dos dois portos.
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A holding chinesa, logo após ter sua concessão suspensa, anunciou que recorreria da decisão e advertiu à Maersk que poderia responsabilizá-la se assumisse os terminais. A Autoridade Marítima do Panamá alegou que a publicação em Diário Oficial tornou definitiva a decisão da Suprema Corte e, com base nela, tomou posse dos portos por meio de um decreto de ocupação. Mas ressaltou que a medida não implica expropriação e que os equipamentos permanecem propriedade da concessionária anterior.
A Maersk informou que a APM Terminals iniciou uma fase de estabilização em Balboa para garantir a continuidade do centro logístico. Essa fase inclui inventários de carga e equipamentos, avaliações de infraestrutura e a implementação de um novo sistema operacional para o terminal. Durante essa etapa, a movimentação de contêineres poderá ser regulamentada enquanto as operações são gradualmente retomadas. O site Investing.com noticiou que as ações da CK Hutchison caíram 1,8% após a perda da concessão dos portos. A empresa reiterou que estuda tomar medidas legais e que já recorreu a arbitragem da Câmara de Comércio Internacional e que a reivindicação por indenização pode chegar a dois bilhões de dólares.
















