Para este ano, a redução no custo da produção na China e a possibilidade de cortes na capacidade ser menos provável são fatores de contenção. Para o futuro, a redução da relevância da commodity como matéria-prima do aço, com a sucata chinesa inundando o mercado, é o principal peso que impediria o insumo de se valorizar, diz.
Em entrevista ao Valor, a especialista lembrou que o momento atual de alta, que levou o minério a se sustentar acima dos US$ 60 a tonelada, não tem vida longa. A expectativa é que o impulso dure de dois a três meses - período em que os investidores, afirma, deveriam aproveitar ao máximo para lucrar -, mas o cenário para 2015 ainda é ruim. A analista prevê patamar entre US$ 60 e US$ 70.
"Não há nenhum sinal de que a demanda vá ser maior do que se esperava na China. Acredita-se que o governo conceda estímulos à economia, mas até agora não há nenhuma notícia concreta", diz Melinda. "E essas medidas serão para manter o 'status quo', não para intensificar o crescimento."
Se do lado da demanda o mercado espera sinais positivos, na ponta da oferta também havia expectativas de que mineradoras chinesas de alto custo fechassem as portas. "Isso não existe mais", diz a analista. Segundo ela, todo o volume da commodity que empurrava a curva de custo global para cima saiu de cena. Benefícios estatais como alívio fiscal e os gastos com energia teriam extinguido o que se chama de produtoras de alto custo, na visão de Melinda.
O excedente de oferta internacional se tornaria regra, portanto, e as perspectivas de equilíbrio com a demanda estariam mais reduzidas no curto prazo. Pensando à frente, a analista mantém uma estimativa pessimista, por dois motivos: a produção siderúrgica na China vai chegar a seu topo histórico, antes de cair e se estabilizar em patamares menores, e o minério de ferro pode perder, mais rápido do que se imaginava, o protagonismo como matéria-prima do aço.
Com duas décadas de atividade intensa na siderurgia, a sucata tende a aparecer em breve como uma alternativa ao minério para a fabricação de aço novo. Vale, Rio Tinto e BHP Billiton já alertaram para esse processo e acreditam que só na década que vem os volumes serão relevantes, mas Melinda discorda. "Há potencial para que isso ocorra já em 2018. E aí, o crescimento da participação da sucata na produção de aço será exponencial."
O problema é que esse processo guarda a chave para uma crise mais forte entre as mineradoras. Grandes investimentos em infraestrutura, por exemplo, podem deixar complexos obsoletos e inutilizados, já que a redução de oferta será necessária. Melinda aguarda uma aceleração de vendas de ativos relacionados à commodity, bem como de fechamento de minas. "É muito importante que o setor entenda que uma hora teremos esse problema", acrescenta.
Melinda diz que o mercado precisa escolher melhor onde investir. A seletividade é regra essencial, ainda mais se não há nas contas, por enquanto, chance de o minério voltar a subir.
Fonte: Valor Econômico/Renato Rostás | De São Paulo
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