BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o momento em que o Tesouro podia bancar a ampliação de desembolsos do BNDES passou. Em participação de audiência na Câmara dos Deputados, Levy disse que o Tesouro colocou um total de R$ 463 bilhões nos bancos públicos entre 2008 e 2014. Tal abundância, segundo o ministro, só era possível porque se tratava de um período de grande liquidez internacional. Ele disse que, no mesmo período, a dívida do Tesouro em mãos de estrangeiros chegou a R$ 400 bilhões. Por isso, na explicação do ministro, tal volume de dinheiro não se refletiu em aumento da inflação ou da taxa de juros.
“O Tesouro pode ficar emitindo e apoiando o BNDES foi pelo o que eu falei no começo, que esse foi um período em que, como havia muita liquidez internacional, o Tesouro conseguia emitir papéis que eram comprados”, afirmou.
“Este momento passou, a gente não vai ter outros R$ 400 bilhões de estrangeiros. A equação do nosso financiamento externo se alterou. E é por isso que o BNDES não vai poder continuar financiando no mesmo ritmo”, afirmou.
O ministro da Fazenda participa de audiência conjunta das comissões de Finanças e Tributação; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara para falar sobre o ajuste fiscal que vem sendo implementado pelo governo como as medidas provisórias (MPs 664/14 e 665/14) que restringem as regras para obtenção de benefícios previdenciários e trabalhistas, entre eles o seguro-desemprego, o seguro defeso para pescadores e a pensão por morte.
(Fonte:Valor Econômico/Edna Simão e Ligia Guimarães)
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