Em um relatório, a Moody's se tornou a firma mais conservadora nas premissas sobre os preços de minério de ferro para este ano. A agência de classificação de risco publicou ontem material no qual reduziu suas estimativas em 2015 e em 2016 para US$ 40 por tonelada. Levantamento feito pelo Valor com 17 instituições apontou média de projeções de US$ 54 neste ano e US$ 55 no próximo.
A esse patamar, a commodity não seria negociada a um valor tão baixo desde 2005. Na época, os preços ainda eram acertados entre as mineradoras e os clientes europeus e asiáticos e fixados anualmente - naquele ano, o patamar foi de US$ 37,53 por tonelada.
As alterações promovidas ontem pela agência de rating foram uma resposta à perda de ritmo na produção de aço na China e ao forte excesso de oferta da commodity no mercado global. Esses fatores, que pressionam a cotação do insumo há meses, devem manter os preços baixos ao menos até o fim de 2016, acrescentou a Moody's.
Ontem, o minério com teor de 62% de ferro negociado na China fechou em US$ 50 a tonelada, alta de 0,6%. Nas duas últimas semanas a commodity ensaia recuperação, mas segue em queda de 30% no acumulado de 2015.
Melinda Moore, analista do Standard Bank, lembrou que a australiana Fortescue Metals Group elevou sua expectativa de vendas em 2015, de 150 milhões de toneladas no mínimo para até 165 milhões de toneladas, elevando preocupações quanto à sobrecapacidade do insumo no mundo.
No relatório de ontem, a agência de risco também fixou expectativa de preços para o carvão metalúrgico em US$ 100 por tonelada durante este ano e US$ 110 no próximo. "Os resultados das companhias serão afetados pelos menores preços do carvão metalúrgico e do minério de ferro", afirma a vice-presidente sênior da instituição, Carol Cowan. "Mas o preço por si só não irá resultar em mudanças de rating das empresas."
Fonte: Valor Econômico/Daniela Meibak e Renato Rostás | De São Paulo
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