Fazer correções em um momento de ajuste fiscal é o maior desafio para melhorar a competitividade do país. Debate promovido pela Fundação Getúlio Vargas ontem, durante o seminário Brasil: Perfil Competitividade, mostrou que o caminho é longo e a restrição orçamentária imposta pelo Ministério da Fazenda torna o trabalho ainda mais complexo. Durante o evento, realizado na Federação das Indústria do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), até o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Armando Monteiro, reconheceu que a agenda fiscal inibe demandas do setor produtivo.
Monteiro disse que o Plano Nacional de Exportações, que planeja lançar no fim do mês dentro da agenda positiva da presidente Dilma Rousseff, esbarra na limitação de recursos estabelecida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Um exemplo é a falta de recursos para ampliar o Fundo de Garantia das Exportações (FGE). Sem novos recursos, ele defende a maior alavancagem do fundo que segue parâmetros mais conservadores que os de Basileia.
Apesar do ajuste, Monteiro acredita que haverá aporte extra no Proex Equalização. Segundo ele, a pasta fez "uma proposta no modo de vestir bem as necessidades". Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o valor chega a R$ 1,5 bilhão. Ele espera contar com, pelo menos, R$ 1 bilhão, mas não quis cravar um montante.
"Agenda positiva é exatamente discutir como retomar o investimento. E aí entra em discussão a crise do Estado e é preciso olhar para o setor privado, sem ideologias", afirmou Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial, da FGV, na abertura do seminário. "Existe vida após o ajuste. O Brasil certamente vai sobreviver, e o grande desafio é retomar investimentos, sem isso não há crescimento", disse.
O economista Roberto Giannetti da Fonseca, ex-presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB), criticou a manutenção da política de intervenção do Banco Central (BC) no câmbio. Giannetti disse que o efeito da desvalorização para a exportação ainda é pequeno. "Precisa desvalorizar mais, mas não desvaloriza porque o BC continua atuando no câmbio, por meio dos contratos de swap cambial. Isso não é normal. Segurar o câmbio por causa da inflação e prejudicar um setor tão importante da economia", disse.
Para destravar a economia e tirar do papel investimentos necessários, foi quase consenso no seminário - tanto do governo quanto de economistas - que o caminho é atrair a iniciativa privada.
À espera do pacote de concessões do governo federal, o secretário de Transportes do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, disse que nunca viu o consenso que existe agora em torno do investimento privado. "Credito a mudança, que abarca governos de todos os partidos, do PC do B ao PMDB, à necessidade. Não existem condições de investir no setor sem a participação privada", afirmou o secretário. Ele esteve, semana passada, com Levy em reunião do Conselho Nacional de Secretários de Transporte. Acredita que apenas a repactuação dos contratos de rodovias já existentes pode gerar investimentos da ordem de R$ 12 bilhões.
Fonte: Valor Econômico/Renata Batista e Robson Sales | Do Rio
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