A produção nacional de petróleo da Petrobras caiu pelo terceiro mês seguido, em março, para a menor média desde agosto do ano passado, mesmo com a entrada em operação de quatro novas plataformas ao longo dos últimos meses. Impactado por paradas temporárias de plataformas como a P-58, a P-57 e a P-20, o desempenho da companhia no primeiro trimestre do ano coloca pressão sobre a geração de caixa e a curva de produção da companhia. Ao todo, a estatal produziu, no mês passado, 2,108 milhões de barris diários, uma queda de 1,8% na comparação com o mês anterior.
A corretora Concórdia lembra que a Petrobras já havia sinalizado que não conseguiria manter o nível de produção de dezembro, quando a estatal registrou recorde de produção de 2,212 milhões de barris/dia no país, e por isso, trabalhava com estimativas mais modestas para o avanço da produção média em 2015. Para este ano, a Petrobras fixou uma meta de aumento de 4,5% na produção de óleo, com margem de erro de um ponto percentual para baixo ou para cima.
"Contudo, mantido o quadro de desaceleração por tempo persistente, e tendo no seu caminho os desafios para executar investimentos dentro de sua limitação orçamentária, eleva-se o risco de mesmo sua estimativa conservadora tornar-se otimista", informou a corretora Concórdia, em relatório divulgado na sexta-feira passada, que destaca que a divulgação do balanço financeiro de 2014, nesta semana, deve trazer mais clareza sobre as perspectivas em torno da meta de produção para 2015.
Vale lembrar que, até o fim do ano, a Petrobras planeja a entrada em operação de apenas mais uma plataforma, o FPSO Cidade de Itaguaí, que vai operar em Iracema Norte com uma capacidade de 150 mil barris/dia a partir do quarto trimestre.
Apesar do baixo desempenho no terceiro trimestre, quando a produção de óleo da Petrobras registrou quedas sucessivas desde dezembro, a companhia acumula um crescimento de 11,8% no primeiro trimestre deste ano, frente a igual período do ano passado, ou seja, média acima da meta de aumento da produção traçada para este ano. Entre janeiro e março de 2015, a estatal produziu, em média, 2,148 milhões de barris/dia de óleo no Brasil.
Já na média dos últimos 12 meses terminados em março de 2015, a produção de petróleo da Petrobras no Brasil acumula uma média de 2,09 milhões de barris/dia, o que representa uma alta de 8,05% na comparação com igual período exatamente anterior.
A Planner destaca negativamente a parada não programada da P-58, por 13 dias no mês passado e por 21 dias no total, entre 18 de março e 8 de abril, devido a não conformidades na operação. A unidade opera no Parque das Baleias, na Bacia de Campos, com capacidade para produzir 180 mil barris/dia de óleo e 6 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural.
Além das paradas não programadas da P-58 e do FPSO Cidade de São Mateus, onde uma explosão matou nove trabalhadores em março, a produção da Petrobras neste ano deve ser impactada também por paradas programadas para manutenção.
Em janeiro, na última entrevista coletiva da antiga gestão da estatal, o então diretor de Exploração e Produção (E&P), José Miranda Formigli, disse que em 2015 haveria aumento do número de interrupções planejadas em plataformas de produção. A expectativa do ex-diretor era que, em média, 50 mil barris/dia deixassem de ser produzidos ao longo do ano por causa de paradas programadas, frente aos 30 mil barris/dia registrados em 2014.
Já o destaque positivo da produção em março foi o novo recorde de produção no pré-sal. A produção operada pela estatal atingiu 672 mil barris/dia no pré-sal, alta de 0,5% sobre o recorde alcançado em janeiro e de 70% na comparação com março de 2014.
Fonte: Valor Econômico/André Ramalho e Rodrigo Polito | Do Rio
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