A produção global siderúrgica registrou aceleração mais uma vez durante outubro e afastou mais ainda a possibilidade de queda do volume total durante 2016, comenta a consultoria Capital Economics em relatório. No mês passado, foram fabricadas 136,5 milhões de toneladas de aço bruto ao redor do mundo, segundo a Worldsteel Association, alta de 3,3% em comparação anual e de 2,7% ante o mês imediatamente anterior.
A principal responsável por essa virada na tendência do setor internacionalmente é a China. No mês passado, o gigante asiático produziu 4% mais aço do que em igual período de 2015 e 0,5% acima do nível de setembro — 68,2 milhões de toneladas, ou 51,3% do mundo.
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“Os preços mais altos do produto doméstico agem como um incentivo para as usinas elevarem o ritmo produtivo, apesar das margens cada vez mais apertadas com a disparada dos custos de produção”, comenta a Capital Economics, referindo-se ao minério de ferro e carvão mais caros.
Mas, como lembra a economista Simona Gambarini, responsável pelo relatório, o governo chinês já começou a tomar medidas para esfriar o mercado imobiliário, que considera muito inchado no momento. Além disso, foram cortadas 45 milhões de toneladas de capacidade produtiva excedente no país em 2016.
Mesmo assim, a China produziu 673 milhões de toneladas de aço bruto de janeiro a outubro deste ano, 0,7% a mais do que no mesmo período de 2015. Isso fez com que a produção mundial ficasse praticamente estável em 1,33 bilhão de toneladas, após sucessivas quedas no começo de 2016.
Em outubro, empurrada pelos chineses, a Ásia aumentou em 4,2% o volume fabricado, em comparação anual, para 94,3 milhões de toneladas. Sobre setembro, o avanço foi de 1,9%. Na União Europeia, foram observados crescimentos de 0,3% e 6%, respectivamente, para 14,1 milhões de toneladas.
Também segundo os dados divulgados hoje pela Worldsteel, a Rússia produziu 5,9 milhões de toneladas de aço bruto, 2% a mais do que em outubro de 2015 e 3,6% de alta frente a setembro deste ano. O ponto dissonante ficou com os Estados Unidos, que fabricaram 6,4 milhões de toneladas, corte de 2,5% em comparação anual e avanço de 1% de um mês para o outro.
Em outubro, o uso de capacidade produtiva instalada do setor continuou baixo. A taxa chegou a 69,6%, ante 70,2% em setembro e 68,2% em outubro de 2015.
Fonte: Valor