Apesar de uma flagrante recuperação de ritmo em março, depois de um mês de fevereiro que não deixará saudades, a maior parte das principais empresas exportadoras de produtos do agronegócio brasileiro registrou no primeiro trimestre receitas menores com seus embarques do que no mesmo período de 2014. Em geral, as quedas refletiram os preços mais baixos das principais commodities negociadas por essas companhias no mercado internacional, mas a valorização do dólar em relação ao real na comparação foi um importante fator de compensação.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) compilados pelo Valor mostram que 17 empresas ligadas ao setor entraram na lista das 40 principais empresas exportadoras do país de janeiro a março. Somadas, suas exportações alcançaram US$ 7,678 bilhões, 15% abaixo do primeiro trimestre do ano passado (US$ 9,031 bilhões). Mas, como os embarques totais das "40 +" recuaram 18,6%, para US$ 19,733 bilhões, a participação das 17 exportadoras do agronegócio no resultado final do grupo aumentou de 37,3%, no primeiro trimestre de 2014, para 38,9% em igual intervalo deste ano.
Maior empresa de proteínas animais do mundo, a JBS está se firmando também como a líder entre as companhias exportadoras do agronegócio brasileiro. Contudo, dificuldades financeiras em alguns dos principais mercados para as carnes brasileiras no exterior, além dos transtornos causados pela greve dos caminhoneiros no fim de fevereiro, reduziram os embarques da gigante nos primeiros três meses do ano. Já incluídas as vendas de produtos da marca Seara - a Secex ainda separa JBS e Seara em suas estatísticas -, as exportações da JBS chegaram a US$ 1,23 bilhão, 12,2% a menos que no mesmo período do ano passado.
No intervalo, a JBS foi a terceira maior exportadora do país, atrás apenas da Vale e da Petrobras (ver tabela). Cargill, Bunge e BRF, que no ranking geral ocuparam a 4ª, a 5ª e a 6ª colocações, respectivamente, também registraram quedas nas receitas de seus embarques, bem como Louis Dreyfus Commodities (10ª da lista geral) e ADM (13ª). O primeiro destaque positivo entre as exportadoras de produtos do agronegócio foi a Suzano, que ficou em 14º lugar no ranking das "40 +" e cujos embarques de papel e celulose cresceram 34,4%, para US$ 433,6 milhões.
Com açúcar e etanol, a Raízen Energia, 17ª no ranking geral, exportou 2,9% mais (US$ 396,3 milhões), ao passo que a trading Nidera (22ª), controlada pela gigante chinesa Cofco, registrou aumento de 25,9%, para US$ 353,4 milhões. Citrosuco (28ª) e Cutrale (34ª) também registraram aumentos em seus embarques de suco de laranja no primeiro trimestre deste ano.
Mas nada como o salto da Cooxupé (32ª). Por conta do aumento dos preços do café na comparação com o primeiro trimestre de 2014, as vendas da cooperativa mineira ao exterior cresceram 135,4%, para US$ 235,4 milhões. Também presentes no rol das "40 +", Fibria (23ª), Amaggi (26ª), Copersucar (27ª), Minerva (30ª) e Noble (33ª) amargaram retrações em suas exportações.
Fonte: Valor Econômico/Fernando Lopes | De São Paulo
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