O mercado brasileiro de máquinas agrícolas voltou a apresentar uma coleção de resultados negativos em maio, o que alimenta o risco de novas demissões no segmento no curto prazo e amplia as expectativas das fabricantes em relação ao segundo semestre, que historicamente é melhor que o primeiro.
Levantamento divulgado ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicou que, puxadas por tratores e colheitadeiras, as vendas domésticas alcançaram 4.148 unidades no mês passado, com quedas de 2,6% em relação a abril e de expressivos 32,6% na comparação com maio de 2014.
Na prática, o volume vendido retrocedeu ao patamar de maio de 2009. "O impacto maior veio da crise de confiança [na economia]
, que tem impedido a tomada de decisão para financiamentos e novos investimentos pelo agricultor", afirmou Ana Helena Correa de Andrade, vice-presidente da Anfavea responsável por máquinas agrícolas.
As exportações até que subiram em relação a abril - 2,6%, para 965 unidades -, mas seguem fracas, sobretudo por conta da retração das vendas para a Argentina, e em relação a maio de 2014 foram 32,4% mais baixas. Com isso, a produção nacional somou 5.580 unidades no mês passado, com quedas de 1,2% e 26,8% nas mesmas comparações.
"Esse número reflete um ajuste das empresas a um mercado que não está comprador", disse Ana. O segmento encerrou maio com 17,11 mil postos de trabalho, 1,5% menos que em abril e 18,8% abaixo de maio de 2014. No total, as quedas do número de postos de trabalho na indústria de veículos automotores instalada no país como um todo foram de 1% e 9,2%, respectivamente.
Nos primeiros cinco meses de 2015, as vendas de máquinas agrícolas alcançaram 20.282 unidades no país, uma retração de 25,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. As exportações não foram um alento e recuaram 20,2%, para 4.275 unidades, e, assim, a produção nacional registrou uma redução de 23%, para 26.613 unidades.
Após a divulgação, na semana passada, do Plano Safra 2015/16, que definiu a oferta de crédito e os juros do Moderfrota (programa destinado à modernização do maquinário) no próximo ciclo - além das linhas de crédito com juros subsidiados pelo Tesouro em geral -, o segmento espera o anúncio do plano para a agricultura familiar, que tem reflexos diretos sobre as vendas de máquinas de menor porte.
Por ora, a Anfavea não alterou suas projeções para o desempenho do segmento de máquinas agrícolas em 2015. A entidade permanece com uma estimativa de redução de 19,4% nas vendas em relação ao ano anterior, para 55,3 mil unidades. No que diz respeito à produção, a redução esperada é de 16%, a 69,2 mil unidades, enquanto para as exportações está previsto um aumento de 1%, a 13,9 mil unidades.
Ana Helena Correa de Andrade reforça que a indústria vislumbra um segundo semestre melhor, uma vez que a negociação de colheitadeiras costuma ganhar ritmo entre outubro e novembro. Mas ressalva que uma reversão mais expressiva da queda das vendas não virá antes de 2016.
Fonte: Valor Econômico/Mariana Caetano e Fernando Lopes | De São Paulo
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