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Eisa luta para retomar o eixo

Lançamento do ‘BS Itamaracá’ marca esforço do Eisa em retomar ritmo das obras para não perder espaço >> O lançamento ao mar do BS Itamaracá marcou a retomada das atividades do estaleiro Eisa após cerca de três meses de paralisação. Com um ano de atraso, a embarcação deve ficar pronta até o início de 2015. Depois de ter conseguido um empréstimo de US$ 120 milhões junto a um fundo norte-americano,


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o Eisa aos poucos tenta retomar o ritmo das obras. A primeira parcela do empréstimo, no valor de US$ 40 milhões, foi liberada em setembro e serviu para quitar os atrasos na folha de pagamento, comprar insumos e recompor débitos com fornecedores. Já a parcela restante será utilizada em investimentos necessários para aumentar a produtividade do estaleiro e reduzir os atrasos nas obras em carteira. Até o fechamento desta edição, estava prevista para sair ainda em outubro.

Segundo o presidente do Eisa, Josuan Moraes Júnior, parte dos recursos serão utilizados na compra de cabines de jateamento, máquinas de corte e solda e um novo ship-transporter. Também está previsto investimento em aumento da qualificação dos empregados do estaleiro, que somam 2,7 mil. Até o final do ano o estaleiro precisa contratar mais cerca de 600 funcionários para completar seu quadro. Novos métodos de construção e uso de técnicas de acabamento avançado serão essenciais para que o Eisa consiga agilizar as obras. A expectativa é de que os investimentos resultem em um aumento de produtividade de cerca de 30% em um ano. A carteira de encomendas do estaleiro soma R$ 1 bilhão, mas os contratos em atraso são como uma sombra e a perspectiva de algum cancelamento não é descartada. Quase dois anos após assumir a presidência do Eisa, Moraes Júnior saiu do estaleiro logo após o lançamento do BS Itamaracá. “Foi um período de intenso trabalho e inúmeros desafios. Saio com a certeza de ter feito o meu melhor e estou satisfeito de deixar o estaleiro num momento em que ele retoma suas operações”, afirmou Moraes Júnior na cerimônia de lançamento. Na opinião dele, um dos principais gargalos para o crescimento da indústria naval nacional é o excesso de garantias exigidas pelos agentes financeiros e a morosidade deles na análise dos pedidos de financiamentos. “Sem exceção, todos os estaleiros da geração anterior precisam de um upgrade para chegarem ao nível de produtividade necessária. Mas a lentidão e burocracia dos agentes dificultam demais”, criticou.

O novo presidente do Eisa é o engenheiro Diego Salgado, ex-gerente de projetos do estaleiro Brasa. Ele esteve à frente da obra de conversão do FPSO Cidade de Ilhabela.

Primeiro PSV da Brasil Supply e sétimo da frota da empresa, o BS Itamaracá tem contrato com a Petrobras para operar na Bacia de Campos. Tem entrega prevista para o primeiro semestre de 2015. Classificado pela DNV-GL, o PSV 4500 tem 91,40 metros de comprimento, velocidade de 15 nós, capacidade para 16 tripulantes e seis passageiros. Atuará no transporte de fluidos e granéis líquidos às plataformas de produção e perfuração da Bacia de Campos.

Entre as inovações do Itamaracá está sua capacidade de transportar grandes volumes de carga, com quatro tipos de segregação: lama sintética; lama à base de óleo; lama à base de água; e salmoura. Também transportará água potável e carga seca (cimento, bentonita e barita), além de outros tipos de carga paletizadas ou conteinerizadas, no convés. O projeto é um UT 775E da Rolls Royce. A embarcação conta com três geradores Sotreq/MAK 2534kW/720rpm e um gerador auxiliar Volvo de 800kW/1500 rpm. A embarcação também é equipada com um guindaste eletro-hidráulico com capacidade para duas toneladas SWL. O sistema de posicionamento dinâmico é do tipo DP2.

Mesmo com mais de uma dezena de contratos em carteira, o Eisa tem pela frente um período delicado. Além do esforço para aumentar sua produtividade e minimizar os atrasos dos contratos, precisa também driblar a insatisfação dos clientes. Alguns deles, como a própria Brazil Supply, não escondem que buscam alternativas para concluir suas encomendas. A empresa tem outros três PSV 4500 encomendados ao Eisa, todos estão com entrega atrasada, e é penalizada com multas pela Petrobras. Contratos com a Swire Pacific, cujas obras nem começaram, ou os três contratados pela Astromáritima e que estão com as obras paralisadas são motivos de preocupação. Já os navios contratados pela Log-In estão sendo retomados e no próximo ano está prevista a entrega do segundo bauxiteiro e de um dos três porta-contêineires.

Em poucos anos, a Brasil Supply conseguiu fechar 17 contratos com a Petrobras para a prestação de serviços de apoio marítimo. Seis deles já foram incorporados à frota. Outros seis UT 4000 e uma embarcação para o transporte de passageiros crew boat estão contratados. A demora nas entregas tem feito com que a armadora cogite utilizar também embarcações estrangeiras. Segundo o diretor de operações da empresa, Ricardo Braga, todas as embarcações contratadas tanto no Eisa quanto no estaleiro Arpoador, em Guarujá, devem iniciar operação até 2017 enquanto que pelo cronograma todas deveriam estar prontas até o próximo ano. O investimento total da empresa é de R$ 700 milhões, com recursos do Fundo da Marinha Mercante.

O Eisa atribui parte de suas dificuldades à encomenda feita pela venezuelana PDVSA, para a construção de 10 petroleiros, em 2007. Nenhuma parcela foi paga e o primeiro navio está semiacabado, ocupando uma das carreiras do estaleiro. O contrato dos demais foi rescindido. Como o navio foi contratado para exportação, só pode ser vendido para armador estrangeiro, o que dificulta ainda mais o negócio.






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