Quando Lula lançou os dois programas de renovação da frota da Transpetro – Promefs I e II – houve muita descrença. Disseram que plantador de cana pernambucano jamais poderia ser metalúrgico e coisas do gênero. Afirmaram que o custo era mais alto, o que é verdade, mas decorre do período de retomada da construção naval, chamado de “curva de aprendizado”; da cotação do real, que, até recentemente, estava artificialmente valorizada; além do mais, a comparação é sempre feita com navios chineses e coreanos, onde os subsídios são política de estado. Afinal, entram no mercado de trabalho chinês, a cada ano, 24 milhões de pessoas e nem todos podem produzir celulares ou relógios. Muitos vão para a construção naval, intensiva de mão-de-obra.
Bem ou mal, a Transpetro já recebeu dez dos 46 navios que encomendou. O mais recente foi o Anita Garibaldi, do antigo estaleiro Mauá, de Niterói, hoje chamado de Eisa Petro-Um. São navios de aço, que geram empregos de metalúrgicos e engenheiros, na construção local e de marítimos na operação. Até o fim do ano, a estatal receberá mais quatro novos navios Made in Brazil. Se não fosse a política de conteúdo local, esses navios teriam de ser importados, gerando empregos muito, muito longe do Brasil.
Fonte: Monitor Mercantil/Sergio Barreto Motta
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