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Pirambu ganha força para abrigar o estaleiro Promar

Passados cinco meses, Prefeitura e PJMR parecem se entender quanto à localização do estaleiro
Descartada a Praia do Titanzinho, pela prefeita Luizianne Lins, e a Indústria Naval do Ceará (Inace), pelo empresário Paulo Haddad, diretor presidente da PJMR, os olhos de ambos se voltam agora, para a Praia do Pirambu e demais áreas livres, no entorno do Poço da Draga, como opções para instalação do estaleiro Promar Ceará. Os novos locais foram pontuados ontem, durante voo realizado no início da tarde, pelos dois, sobre o litoral cearense.
"Olhamos tudo, do Pecém (porto) até a Praia do Titanzinho e discutimos todas as possibilidades. Acredito que na próxima semana, vão (a Prefeitura) apontar uma solução (local apropriado para instalar o estaleiro)", disse ontem, Paulo Haddad, após sobrevoar a costa oeste de Fortaleza.
Para ele, após a prefeita conhecer o Estaleiro Atlântico Sul, na tarde de segunda-feira, e sobrevoar o litoral, "ela sabe o que pode e o que não pode ser construído na costa de Fortaleza". Conforme disse, ela teria prometido conversar com o governo do Estado e apresentar um projeto definitivo até o fim da próxima semana.
"Ali, na Praia do Titanzinho não vai ser", antecipou o empresário, ao admitir, pela primeira vez, o que todos já esperavam. No bairro do Serviluz, a prefeita promete construir o projeto urbanístico e de requalificação da área Aldeia da Praia.
Na Inace, assim como na Foz do Rio Ceará, conforme chegou a supor o Instituto de Arquitetura do Brasil, Departamento do Ceará (IAB-CE), também não será. "Lá (na Foz do Rio Ceará) não tem condições, não tem a mínima possibilidade", descartou Haddad. Com uma ponte no meio e rasa, o que inviabiliza o trânsito de navios, a área foi reprovada pelo empresário e pela Prefeitura de Fortaleza, além do que é um dos cartões postais da Cidade.
Com mais restrições do que pontos favoráveis, conforme avaliação do empresário, a Inace também foi rejeitada, apesar de ser o local preferido de Luizianne, por já existir um estaleiro no local. "Já escolhemos o nosso parceiro nesse empreendimento, que é a STX Europe, com 50% de participação. Não há razão para fazermos outras parcerias", definiu Haddad.
"Para fazermos um estaleiro desse porte, (para construção de oito navios gaseiros) precisamos de área ampla. Quanto maior a área, maior a produção. As novas oficinas são dez vezes maiores do que as existentes hoje (na Inace)", justificou o empresário.
Já o Pecém, apesar de contar com a profundidade adequada e estar fora da área urbana acrescenta o empresário, os custos seriam muito elevados para o governo do Estado bancar as obras necessárias para instalação do equipamento. "Não acredito que vocês teriam coragem (política) de fazer no Pecém. Vão levar pedradas de todos os lados e nós não teremos como justificar tecnicamente", reagiu o empresário, diante da insistência da prefeita de que no Pecém seria o local mais apropriado para o estaleiro.
Diante de tantas restrições, ele reconhece que encontrar áreas livres, com 100 hectares abrigados das ondas, e com o mínimo de 500 metros de frente à beira-mar, como exige o projeto virtual do Promar Ceará, é praticamente impossível no Estado. "No Ceará, não há baias. Independentemente do local, haverá a necessidade de aterro e expansão de enrocamento (espigões de pedra), explica.
Pirambu
Visitadas várias áreas da costa oeste, a do Pirambu é, segundo o posicionamento do empresário e da prefeita, a que menos restrições apresenta, apesar de ainda não haver estudos dos impactos ambientais realizados na área. A região já conta com dois espigões paralelos que, no entanto, assim como no Titanzinho, precisarão ser ampliados, para abrigar a área de mar.
Mão-de-obra
Além disso, cita Haddad, o elevado contingente populacional do Pirambu é positivo, pois significa mão-de-obra disponível na própria comunidade. O estaleiro promete gerar 1,2 mil empregos diretos. "O adensamento é positivo. Os operários vão trabalhar perto de casa", disse, assegurando que não haverá desapropriações, já que o estaleiro será construído em área aterrada, dentro do mar.
Para Luizianne Lins, espaço para escoamento de caminhões também não será problema no Pirambu. Ela citou a Av. Costa Oeste, como válvula de escape à avenida Leste Oeste, como alternativa. "O Pirambu é uma área que pode receber o estaleiro, mas as demais não estão descartadas", disse a prefeita ao Diário do Nordeste, conforme divulgado na edição de ontem. Haddad reconhece também, que a alteração do local, seja para o Pirambu ou para a área onde nasce o emissário submarino, no Poço da Draga, pode gerar novas despesas ao governo do Estado, além dos US$ 30 milhões já prometidos. "Na hora em que a Prefeitura definir o local, vamos sentar com o Estado, para definirmos os custos", disse.
CUCAS
BID prevê aporte de US$ 30 mi ao Município
Se depender de contrapartida financeira, os outros cinco Cucas (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) deverão ser finalizados. Até o fim de maio, será assinado contrato com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que prevê o repasse de US$ 30 milhões para a Prefeitura visando a edificação dos equipamentos.
De acordo com o coordenador de projetos especiais do Município, Geraldo Acioly, do montante, US$ 7 milhões serão pagos para compensar a Prefeitura pela construção do Cuca Che Guevara, localizado na Barra do Ceará. Os outros US$ 23 milhões serão destinados ao Cuca da Regional V, em construção no bairro do Mondubim e com inauguração prevista para dezembro deste ano; ao Cuca da Regional VI, a ser construído no São Cristóvão e com licitação prevista para sair em julho; e para as outras unidades, as quais ainda não possuem terreno definido na cidade.
Ontem, o vice-presidente executivo do BID, Daniel Zelicov, reuniu-se com a Prefeitura para avaliar os projetos em andamento na Capital que receberam recursos do banco, como o Transfor (Programa de Transporte Urbano de Fortaleza) e o Preurbis (Programa de Requalificação Urbana com Inclusão Social), que prevê a construção de 816 unidades residenciais para retirar moradores das áreas de risco às margens dos rios Cocó e Maranguapinho e da Vertente Marítima Oeste; além dos próprios Cucas. Zelicov ainda conheceu o Cuca da Barra do Ceará.
Na visita, o presidente do BID elogiou o projeto por proporcionar atividades esportivas e culturais para jovens da periferia de Fortaleza e admitiu já possuir planos de levar o modelo do equipamento para outras capitais do País.

Fonte: Diário do Nordeste (CE)/CARLOS EUGÊNIO



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