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Sobena completa 50 anos ativa pelo desenvolvimento do setor naval e formação de profissionais de qualidade

Uma importante voz do setor naval completa meio século de história. No dia 15 de março de 1962, foi fundada a Sociedade Brasileira de Engenharia Naval, a Sobena. Com sede no Rio de Janeiro, a entidade vivenciou, ao longo desses 50 anos, bons e maus momentos do setor, destacando-se como organizadora de debates, além de incentivar a qualidade e a especialização da formação profissional. A Sobena possui 885 associados, entre empresas e individuais. A lista inclui engenheiros navais e profissionais que trabalham no setor, como oficiais de marinha mercante e engenheiros de outras especialidades que trabalham em estaleiros.

O almirante Armando de Senna Bittencourt, ex-presidente e atual conselheiro da Sobena, destaca que a associação nunca deixou de realizar congressos e criar seminários para as principais questões que envolvem o setor, mesmo durante a crise da década de 1990. Os principais eventos organizados pela Sobena são: o Congresso Nacional de Transporte Aquaviário, Construção Naval e Offshore; o Seminário de Transporte e Desenvolvimento Hidroviário Interior; e o Seminário sobre Meio Ambiente Marinho.


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Bittencourt ressalta a importância da realização de eventos em polos importantes de diversas regiões do país, como em Belém (PA), Corumbá (MS) e Jaú (SP) — onde existe uma escola técnica. O engenheiro cita um dos congressos de navegação interior em que a discussão foi levada para o auditório do Senado. “Aquele congresso aconteceu num momento em que era preciso que o país acordasse para a importância da navegação interior. Levamos a discussão com especialistas nacionais e estrangeiros para dentro do Senado”, lembra Bittencourt.

 

Bittencourt avalia que a Sobena possui um histórico de boas gestões, que contribuíram para o prestígio e referência da associação. Ele diz que a Sobena sempre contou com apoio da Marinha, das companhias de navegação e estaleiros do país, assim como das universidades. O conselheiro destaca que a Sobena é uma instituição respeitada dentro e fora do Brasil. A associação pública, desde 2004, uma revista em inglês que é referência acadêmica. A publicação é voltada para a divulgação de material técnico e científico de caráter original. A revista, Marine Systems & Ocean Technology - A Journal of Sobena, é distribuída gratuitamente para os associados.

O conselheiro Rubens Langer de Almeida e Albuquerque, que presidiu a Sobena de 1998 a 2000, destaca que um dos méritos da instituição nesses 50 anos foi manter-se fiel aos seus princípios. “A Sobena foi criada para valorizar a construção e a engenharia naval e formar uma massa crítica para as discussões do tempo na parte da política setorial e técnica”, avalia. Ele destaca ainda que a Sobena sempre abraçou questões que envolvem a política setorial, mas sem entrar no âmbito partidário.

 

Membro há 40 anos, o vice-presidente da Sobena, Floriano Carlos Martins Pires Junior, enfatiza que a Sobena surgiu junto com a moderna indústria naval no Brasil. Ele destaca que o grupo de engenheiros que fundou a Sobena em 1962 era formado por profissionais que participaram da implantação dos primeiros estaleiros no Brasil, no final da década de 1950. Já no final da década de 1960, a Sobena, por meio de doações, adquiriu sede própria no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Na década de 1990, quando a maioria dos estaleiros estava sem atividades e o setor estava muito desarticulado, a Sobena também teve papel importante. “Naquela época, a Sobena era o espaço onde eram discutidos os problemas do setor e onde eram feitas propostas alternativas nos anos de crise mais profunda. No período de pior crise do setor, a Sobena teve papel muito intenso”, lembra Floriano.

Com a recuperação do setor nos últimos anos, a Sobena volta a ter papel mais técnico, direcionada à agenda tecnológica do setor naval. Nos últimos anos, a associação passou a dedicar-se às atividades relacionadas com a exploração e produção de petróleo offshore, realizando eventos destinados aos profissionais dessas áreas. “A Sobena está muito voltada para a agenda tecnológica da indústria naval. Percebemos que a indústria naval está passando por uma transformação muito grande e que precisa ser acompanhada com muita atenção, foco na qualidade tecnológica e quantidade de instituições envolvidas com essa engenharia”, enxerga Floriano.

 

Bittencourt classifica a fase atual do setor como “promissora” e diz que o fundo do mar exige grande aperfeiçoamento da engenharia oceânica para exploração. Ele também destaca que os seminários de navegação interior estão acontecendo num momento importante, em que os rios precisam ser bem utilizados para navegação. Segundo o engenheiro, o país está num momento de desenvolvimento econômico em que as hidrovias assumem grande importância para auxiliar a exportação.

Nesse processo, Langer diz que a Sobena possui papel importante no apoio à transição dos novos profissionais da área de engenharia naval e afins. Ele defende que a renovação é importante para manutenção de credibilidade de pleitos justos, mantendo os princípios da entidade. “Nos próximos anos, acompanharemos grande evolução na construção naval e offshore. Temos que continuar lutando para conseguir obter a competitividade internacional do setor”, enfatiza Langer.

O renascimento do setor naval brasileiro também vem acompanhado pela necessidade de formação de novos profissionais. Segundo Floriano, a Sobena sempre teve atenção muito grande com a formação dos engenheiros e tecnólogos. O vice-presidente da Sobena diz que a entidade considera positivo o surgimento de novos cursos superiores e técnicos para a área naval, mas preocupa-se com a qualidade desses profissionais em curto e médio prazo. “De um lado é visto com bons olhos, mas há a preocupação de que essas iniciativas sejam feitas com qualidade. Não podemos perder o padrão de qualidade que a engenharia naval sempre teve no Brasil”, afirma Floriano.

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