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Sete Brasil deve receber aporte de US$ 1,2 bilhão de novos investidores

Um dos principais acionistas da Sete Brasil, criada para intermediar a construção de 29 navios-sonda para a Petrobras, está na Ásia negociando aporte de capital de US$ 1,2 bilhão na companhia. Este é o valor que um grupo de novos investidores está disposto a aportar na companhia.

A parte delicada em negociação neste momento é quanto do capital da Sete esse valor vai representar, uma vez que significa a diluição dos atuais sócios da empresa. Depende desse acordo se os atuais acionistas colocam ou não recursos adicionais no negócio. Idealmente, eles não precisariam acompanhar e seriam diluídos.

Com o aumento de capital, a Sete consegue com novos investidores um total de US$ 5,2 bilhões, já que também levantou US$ 4 bilhões em novos financiamentos.

Caixa e Banco do Brasil sinalizaram que podem fazer novos empréstimos, junto com outras instituições

O plano já foi aprovado pelos credores e pelos acionistas da empresa, embora a redação final ainda não tenha sido assinada. Também a Petrobras já deu o sina verde, há cerca de duas semanas.

Ficou acertado que a Sete Brasil vai seguir com 19 das 29 sondas planejadas lá atrás, na criação da companhia. Esse era o topo das expectativas do intervalo aprovado pelos acionistas e pelos credores, em maio - de 12 a 19 sondas.

O novo tamanho da Sete Brasil foi pensado para preservar o capital investido pelos sócios da empresa. "Pode haver alguma perda se os financiamentos das sondas saírem mais caros do que se imagina? Pode. Mas a tendência é que o capital seja preservado", disse a fonte ao Valor.

O retorno do capital investido, entretanto, certamente será muito menor do que o inicialmente previsto. Entre os principais acionistas estão os bancos BTG Pactual, com a maior exposição de todos, e o Santander, os fundos de pensão Funcef (Caixa) e Petros (Petrobras) e a própria Petrobras. Se tudo sair como se desenha, os bancos também devem ser preservados de calotes.

Pelo que se costurou até agora, das 19 sondas que restam, quatro (a cargo do estaleiro Enseada) poderiam ser transferidas para uma nova empresa que terá Odebrecht e o estaleiro japonês Kawasaki como sócios. Dessa forma, essa nova empresa é que buscaria o financiamento para as sondas, provavelmente com o JBIC, banco de desenvolvimento japonês.

Um executivo próximo das discussões disse que esse arranjo ainda é "incipiente" e que tudo depende das negociações com os bancos credores no Brasil. "Os japoneses não vão entrar se os bancos [no Brasil] não assumirem o risco de crédito", afirmou.

Nas próximas semanas, as instituições financeiras e de fomento que estão prontas a fornecer os US$ 4 bilhões devem submeter o negócio aos respectivos comitês de crédito. Na prática, significa que a questão está avançada, mas não finalizada. A expectativa, conforme apurou o Valor, é que os contratos sejam assinados apenas em outubro.

Caso a negociação para a transferência das quatro sondas do Enseada chegue a bom termo, a Sete consegue retirar cerca de US$ 400 milhões em dívidas de seu balanço.

Além disso, das 19 sondas que serão levadas adiante, quatro serão financiadas pelos estaleiros BrasFels e Jurong, de Cingapura, que custearão duas cada um. Ao término, a Sete levantará recursos de longo prazo para pagar os estaleiros e assumir as embarcações.

Ao assumir, de imediato, apenas 15 sondas, o investimento total previsto pela Sete Brasil cairá para cerca US$ 12 bilhões. Inicialmente, quando o projeto consistia de 29 sondas, o investimento previsto era de US$ 25 bilhões.

As sondas a serem construídas pelo estaleiro ERG, situado em Rio Grande (RS) terão a resolução do financiamento postergada - embora três das 19 serão feitas lá. "Antes, o ERG terá de resolver sua questão societária, com provável saída da Engevix ", disse outra fonte.

Com essa reorganização, do novo número de navios-sonda, ficaria pendente o financiamento de nove delas, num total de US$ 7 bilhões. A empresa já conta com um empréstimo-ponte de US$ 3,6 bilhões que os bancos credores concordaram em transformar em créditos de longo prazo. A cifra atrelada às nove sondas é um pouco inferior a esse valor.

Na conta final, faltaria, portanto, o financiamento adicional de até US$ 4 bilhões. Do total das 19 sondas que devem ser finalizadas, apenas 13 não sofrerão paralisação - as que estão com Brasfels e Jurong.

Segundo fonte próxima às negociações, as conversas avançaram nas últimas semanas especialmente porque a Petrobras participou de reuniões importantes, mostrando o interesse nos projetos - ponto de grande insegurança inicialmente entre credores antigos e potenciais novos investidores.

O acordo entre a Sete e a Petrobras, para reduzir o número de sondas, precisa ser oficialmente aprovado pela diretoria da estatal. Só então irá aos bancos credores.

Há grande probabilidades de que o acordo definitivo sobre o financiamento das sondas não seja fechado até 30 de junho, quando vence o período acordado com seis bancos credores que aceitaram prorrogar por 90 dias as dívidas de curto prazo da companhia, no valor de US$ 3,6 bilhões. "Uma solução intermediária deve ser alcançada nesse prazo e um acordo final deve sair no segundo semestre", informou uma fonte.

O plano da empresa não entrou na pauta da próxima reunião da diretoria da Petrobras, na segunda-feira. A expectativa é que seja analisado pelos diretores da estatal no dia 22 de junho.

A Caixa e o Banco do Brasil sinalizaram que também podem fazer novos empréstimos, junto com instituições chinesas e de outros bancos privados estrangeiros que devem compor os US$ 4 bilhões novos.

A negociação com os bancos credores passa por transformar parte da dívida de curto em longo prazo. Mas os bancos terão que receber parte do pagamento.

Em maio, a Sete Brasil negociou pontos do plano de reestruturação da empresa com as áreas técnicas da Petrobras. As discussões abrangeram a redução no número de sondas a ser encomendadas, as tarifas e os prazos de afretamento das sondas e a possibilidade de a empresa ser a operadora das sondas. Na questão das tarifas de afretamento, a Petrobras sinalizou que não pretende mexer nos valores estabelecidos.

A Sete Brasil queria estender os prazos dos afretamentos de 15 para 25 anos, o que não foi aceito pela Petrobras. A estatal não se posicionou sobre o pedido da Sete Brasil para a empresa ser a operadora das sondas. O tema depende de negociações com os atuais operadores. Cada sonda é constituída na forma de uma sociedade de propósito específico (SPE), com participação de várias empresas. É possível que uma solução seja uma parceria entre os atuais operadores e a Sete.

Cabe também à diretoria da Petrobras aprovar um novo cronograma de construção das sondas, uma vez que os prazos originais de entrega das unidades ficaram comprometidos a partir da paralisação nas obras de várias unidades. A parada na construção foi provocada por atrasos nos pagamentos aos estaleiros pela Sete, a partir de novembro.

Fonte que acompanha as discussões frisou que todos terão que abrir mão de alguma coisa para que o plano de reestruturação fique de pé. "A premissa é preservar o capital colocado pelos acionistas, tentando criar condições de retorno [para esse capital] e também viabilizar aportes novos", disse a fonte. Os atuais acionistas aportaram R$ 8,3 bilhões na empresa até o momento.

Fonte: Valor Econômico/Graziella Valenti, Vanessa Adachi e Francisco Góes | De São Paulo e do Rio






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