A CMA CGM, em parceria com Copersucar e Bunker One, realizou em 12 de julho, no Porto de Santos, o primeiro abastecimento com etanol de um navio porta-contêineres transoceânico no Brasil, o CMA CGM IRON, marcando um avanço na adoção de combustíveis renováveis na navegação de longo curso.
O navio, com capacidade de cerca de 13.000 TEU (unidades equivalentes a contêiner de 20 pés), é equipado com motor tricombustível certificado para operar com etanol, o que permite o uso de combustíveis de menor intensidade de carbono sem alterar o perfil operacional típico das rotas de longo curso. A operação envolveu a Copersucar como fornecedora do etanol, Santos Brasil e AGEO Terminais na infraestrutura de armazenagem e movimentação, e a Bunker One na coordenação do bunker, com abastecimento realizado por barcaça dedicada, seguindo padrões internacionais de segurança.
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Segundo as empresas envolvidas, o etanol utilizado provém de uma cadeia produtiva certificada, com expansão da cultura de cana-de-açúcar sobre áreas de pastagens degradadas e aderência às exigências de sustentabilidade e desmatamento zero previstas no programa RenovaBio. Na avaliação dos parceiros, o combustível reúne três atributos centrais para o uso marítimo: redução relevante das emissões de gases de efeito estufa, disponibilidade imediata em escala comercial e infraestrutura de produção já consolidada no Brasil, fatores que ganham peso diante da crescente demanda global por combustíveis sustentáveis.
A operação em Santos também reforça a estratégia da CMA CGM de ampliar o uso de energias de baixo carbono em sua frota. O CMA CGM IRON é o primeiro de uma série de 12 porta-contêineres de 13.000 TEU com motor tricombustível certificado para etanol, e o grupo projeta operar cerca de 200 navios aptos a utilizar combustíveis alternativos até 2031, em linha com a meta corporativa de atingir neutralidade de carbono até 2050.
Para Copersucar, o abastecimento demonstra a capacidade de integrar produção, logística e mercado para viabilizar soluções bioenergéticas em escala, abrindo espaço para que o etanol passe a compor, de forma competitiva, a matriz energética da navegação. Já a Bunker One destaca que a frota global de navios aptos a receber metanol – e, por consequência, etanol – hoje é estimada em cerca de algumas dezenas de embarcações, com previsão de saída de centenas de novos navios preparados para combustíveis não fósseis nos próximos anos, o que deve ampliar a demanda por operações semelhantes em portos estratégicos como Santos.













