A oferta de combustíveis marítimos está sendo reduzida por causa do fechamento do Estreito de Ormuz e de ataques a estruturas produtoras de gás e de derivados de petróleo e já há escassez em portos da Ásia, revela levantamento divulgado pela BRS Tanker, corretora internacional especializada no mercado de fretes e transporte internacional. E a expectativa é de que o problema se agrave porque bombardeios causaram danos estruturais a infraestruturas energéticas essenciais, como o campo de gás de South Pars, no Irã, e Ras Laffan, no Catar.
Segundo o relatório, a recuperação das estruturas não será imediata, e o fornecimento de gás e condensado por essas e outras unidades atingidas por mísseis pode levar de três a cinco anos para voltar aos níveis anteriores ao início da guerra. Com isso, a empresa prevê que, mesmo que os ataques sejam suspensos, haverá impacto a longo prazo no abastecimento energético global.
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O levantamento informa que o fechamento do Estreito de Ormuz já mostra consequências diretas no mercado de combustíveis marítimos e que já pode ser notada “crescente escassez de disponibilidade, especialmente na Ásia”. A análise da BRS Tanker destaca que, embora os preços ainda não tenham ultrapassado os máximos registados após a invasão da Ucrânia por tropas russas, a volatilidade nos mercados de energia tem sido extrema e há disparidades regionais significativas, com Singapura liderando o a aumento de preços.
O fechamento parcial do Estreito de Ormuz, com a permissão do Irã apenas para a passagem de navios com bandeiras de países considerados amigos, agrava a situação e a disponibilidade de óleo combustível também foi afetada, segundo o estudo. De acordo com a corretora, “há relatos generalizados de que muitos portos, especialmente na Ásia e no Oriente Médio, estão ficando sem estoque de HSFO e VLSFO" e um dos motivos seria a queda na produção de petróleo bruto ácido como consequência da guerra.
A situação é agravada, segundo o levantamento, pelas restrições ao fornecimento de produtos refinados. A China suspendeu as exportações de combustíveis , enquanto outros países asiáticos impuseram limites. Isso, aliado às dificuldades logísticas e financeiras, tem reduzido os fluxos do Ocidente para a Ásia. "O fornecimento de produtos na Ásia parece estar se tornando ainda mais comprometido", avalia o relatório.
O estudo analisa ainda o aumento de custos para as empresas de navegação por causa do fechamento do Estreito de Ormuz e cita como um dos efeitos imediatos a elevação dos seguros. Segundo a BRS Tanker, os prêmios contra riscos de guerra “aumentaram exponencialmente, tornando a travessia por Ormuz proibitivamente cara”, o que está desencorajando navios a usarem o estreito e interrompendo as rotas tradicionais de comércio de petróleo.
As consequências da guerra afetam também o mercado de fretes de navios-tanques. De acordo com a análise da corretora, a reconfiguração dos fluxos, como o desvio das exportações sauditas para Yanbu, um porto na costa do Mar Vermelho, e o aumento dos riscos elevaram as tarifas e criaram distorções. “Os mercados de navios-tanque de petróleo bruto no Oriente Médio permanecem caóticos”, afirma o relatório, que cita exigências de armadores de valores adicionais para cruzar áreas consideradas críticas.
















