Com o Brasil avançando na concessão do trecho nacional do Rio Paraguai e a Argentina reabrindo a licitação da sua principal via navegável, representantes de cinco países se reuniram em Buenos Aires, na quarta-feira (17), para discutir modelos de concessão, governança compartilhada e prioridades de investimento na Hidrovia Paraguai–Paraná, eixo central da navegação interior e das exportações na Bacia do Prata.
No lado brasileiro, o governo federal trabalha na modelagem de concessão de cerca de 600 km do Rio Paraguai, entre Corumbá (MS) e a foz do Rio Apa, com previsão de contrato de longo prazo, tarifa-teto por tonelada transportada e investimentos obrigatórios em dragagem, balizamento, monitoramento hidrológico e sistemas de gestão do tráfego hidroviário, com o objetivo declarado de ampliar a segurança da navegação e a capacidade de escoamento de cargas agrícolas e minerais. Paralelamente, Brasil, Paraguai e Bolívia vêm negociando um arranjo de gestão coordenada para serviços essenciais à navegabilidade, como sinalização, batimetria e manutenção de canais, a fim de reduzir assimetrias operacionais ao longo da hidrovia.
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Na avaliação do presidente da ADECON, Adalberto Tokarski, a Hidrovia Paraguai–Paraná só alcançará todo o seu potencial como corredor logístico se houver uma governança regional robusta, capaz de assegurar previsibilidade regulatória, coordenação entre os países e fluxo contínuo de investimentos em infraestrutura e inovação tecnológica. Ele reforçou que a construção de uma base integrada de dados sobre condições de navegação e operações é considerada peça central para o planejamento público e privado e para dar mais segurança a novos aportes de capital no sistema hidroviário.
Na Argentina, o governo retomou o processo de concessão da Vía Navegable Troncal, corredor fluvial que concentra grande parte das exportações do país, incluindo o trecho argentino da Hidrovia Paraguai–Paraná, com nova licitação voltada à contratação de dragagem e balizamento por operador privado especializado. O desfecho dessa disputa, que envolve grupos internacionais de infraestrutura e dragagem, tende a influenciar custos, padrões de serviço e previsibilidade operacional em todo o corredor logístico sul-americano.
É nesse contexto que está sendo realizado, nos dias 17 e 18 de junho, o Diálogos Hidroviáveis Internacional, em Buenos Aires, reunindo governos, agências reguladoras, entidades empresariais e especialistas de Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. O encontro, promovido pela ADECON e parceiros, discute justamente a articulação entre diferentes regimes de concessão, a revisão da governança multinacional na Hidrovia Paraguai–Paraná e os investimentos necessários para consolidar a navegação interior como vetor de integração econômica regional.













