Levantamento da Maritime Strategies International (MSI), consultoria especializada em transporte marítimo, mostrou que, embora os combates entre Estados Unidos, Israel e Irã tenham cessado após anúncio de cessar fogo, o Estreito de Ormuz continua fechado à navegação, o que provocou em março de 2026 queda de 0,9% na demanda global por movimentação de contêineres em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa previu, no entanto, a reabertura gradual da passagem nos próximos meses e que os níveis de trânsito atingirão no terceiro trimestre 80% dos níveis pré-conflito e 95% no quarto trimestre de 2026.
Segundo o estudo, as rotas ligadas ao Oriente Médio registraram as maiores quedas. A oeste entre o Extremo Oriente e o Oriente Médio/Índia caiu 19,6% em março em comparação com o mesmo período do ano anterior, com a maior queda desde os primeiros meses da pandemia de Covid-19, e a entre a China e Golfo Pérsico teve redução forte em sua participação no comércio regional.
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Mas, de acordo com a MSI, outras rotas mostram resiliência, incluindo a entre a Ásia e a Europa, que registrou crescimento anual de 1,7% em março. A consultoria explicou que resultado foi impulsionado pelas mercadorias enviadas para a Europa e previu que a Transpacífica Leste poderá apresentar segundo semestre mais forte do que o primeiro.
Fretes
Mesmo com a queda na procura, as taxas de frete continuam subindo, segundo a consultoria Drewry, que informou que seu Índice Mundial de Contêineres (WCI) aumentou 6%, para 2.712 dólares por FEU, puxado principalmente pelas rotas da Ásia para a Europa. As tarifas entre Xangai, na China, e Roterdã, na Holanda, subiram 15%, para 2.773 dólares por FEU, enquanto as de Xangai para Gênova, na Itália, aumentaram 10%, para 4.082 dólares por FEU.
Segundo a Drewry, esses aumentos se devem tanto à demanda antecipada da alta temporada quanto às tarifas FAK (Frete para Todos os Tipos). A consultoria indicou que a CMA CGM anunciou novas tarifas FAK, válidas a partir de 1º de junho, fixando valores em torno de 4.700 por FEU para ligações entre a Ásia e a Europa e de 5.500 e 5.700 dólares por FEU entre a Ásia e o Mediterrâneo.
A consultoria informou que pressões de alta estão sendo observadas também na rota Transpacífica. A Drewry observou que a ONE cobrará a partir de 1º de junho sobretaxa de alta temporada (PSS) de 2.000 dólares por FEU para cargas com destino ao leste. Já a MSI alertou que parcela do aumento das tarifas se deve às sobretaxas de combustível. "As sobretaxas de combustível marítimo são o principal fator do aumento das tarifas", afirmou a consultoria, acrescentando que isso "limitará o benefício" que as companhias de navegação podem obter com os preços à vista mais altos.
A Drewry informou ainda que a incerteza geopolítica também está impactando a gestão da capacidade e que são esperadas 41 viagens canceladas nas próximas cinco semanas, de um total de 700 viagens programadas nos principais serviços Leste-Oeste. Se forem confirmadas as previsões, a taxa de cancelamento chegará a 6% no período.
As maiores interrupções previstas são para as rotas Transpacíficas Orientais e Ásia-Europa/Mediterrâneo, ambas com 37% de cancelamentos. A Drewry explicou que as companhias de navegação estão ajustando a oferta por meio de cancelamentos de viagens e gerenciamento seletivo da capacidade para manter os níveis de tarifas. A consultoria observou, no entanto, que o uso da capacidade na rota Ásia-Europa permanece alta. Apenas três viagens canceladas foram anunciadas para esta semana nessa rota, indicando, segundo a empresa, maior utilização da capacidade para acomodar a carga da alta temporada.
A Drewry explicou que os tempos de trânsito mais longos resultantes dos desvios no Mar Vermelho, do congestionamento no norte da Europa e da incerteza em relação ao combustível estão levando alguns donos de cargas a antecipar embarques para antes da temporada de pico tradicional. De acordo com a consultoria, sobretaxas adicionais, serviços extras seletivos e uma oferta mais restrita de embarcações provavelmente manterão as condições de mercado sensíveis a novas perturbações geopolíticas ou operacionais nas próximas semanas.
A MSI prevê que o mercado de transporte marítimo continuará enfrentando desafios de rentabilidade durante 2026, apesar do aumento das taxas spot. Mas uma eventual paz no Oriente Médio poderia aliviar gradualmente as pressões sobre o transporte marítimo de contêineres, favorecendo a reabertura do Estreito de Ormuz e a moderação dos custos de combustível, sobretaxas e taxas à vista.














