A mineradora Vale anunciou ter fechado acordo com a chinesa Shandong Shipping Corporation para afretamento, por 25 anos, de dois navios, classe Guaibamax de segunda geração, movidos a etanol e equipados com cinco velas rotativas para o aproveitamento da energia eólica, que serão entregues a partir de 2029. As embarcações serão as primeiras transoceânicas do mundo preparadas para operar com o combustível alternativo, e o contrato prevê a opção de encomenda de outras semelhantes.
A expectativa é de que os navios, com 340 metros de comprimento e capacidade para transportar 325 mil toneladas de minério, graças à possibilidade de uso de energias alternativas, reduzam em até 90% a emissão de carbono em comparação com outras que usam óleo combustível pesado. Além de etanol, as embarcações poderão usar metanol e óleo pesado e incluem a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou amônia.
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De acordo com a Vale, a segunda geração do Guaibamax será equipada ainda com motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, gerador de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone, entre outras melhorias para aumentar a eficiência energética. Há previsão de que o conjunto de novas tecnologias aplicadas reduzirá em cerca de 15% as emissões de gases do efeito estufa em comparação com a geração atual de Guaibamax.
Segundo a empresa, o afretamento dos navios movidos a etanol faz parte de seu plano de uso de combustível limpos para reduzir emissões e promover a descarbonização, seguindo determinações da Organização Marítima Internacional (IMO). Rodrigo Bermelho, diretor de Navegação da Vale, explicou que os investimentos da empresa em descarbonização no transporte marítimo são orientados por estratégia que busca combinar flexibilidade e eficiência.
Segundo Bermelho, o transporte de minério com uso do etanol como combustível nos navios coloca a Vale na dianteira da transição energética no meio marítimo global nas próximas décadas. A companhia informou também que os novos navios movidos a etanol serão semelhantes a outros 10 navios bicombustíveis, a metanol e óleo pesado, que serão entregues pela Shandong para a Vale a partir de 2027.
De acordo com a mineradora, tecnologias e combustíveis alternativos estão sendo testados como parte do programa Ecoshipping, de pesquisa e desenvolvimento, criado por ela para apoiar a descarbonização da indústria marítima e aumentar a eficiência de suas embarcações. Ela explicou que sua frota já inclui navios Valemax de primeira geração desde 2011, Valemax de segunda geração desde 2018 e, desde 2019, a primeira geração de Guaibamax e que esses navios podem reduzir as emissões equivalentes de CO2 em até 41% em comparação com uma embarcação padrão Capesize.
A Vale informou que desde 2020 investiu cerca de R$ 7,4 bilhões, equivalentes a 1,4 bilhão de dólares, para reduzir suas emissões de Escopo 1, 2 e 3. A empresa explicou que se comprometeu a reduzir até 2035 em 15% as emissões do Escopo 3 relacionadas à cadeia de valor, que inclui a maior parte das emissões do transporte marítimo, dependendo do tipo de contrato.

















