WASHINGTON - O governo brasileiro vai lançar, em maio, um programa de concessões com o objetivo de ampliar investimentos em infraestrutura, afirmou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O potencial de aportes de capital na área é imenso, avaliou o ministro, em entrevista concedida nesse sábado, em Washington.
“O nosso plano é de, nas próximas semanas, chegarmos a uma visão global das áreas que serão disponíveis para concessão”, afirmou Levy. “Os investidores gostam de ter um programa que forneça um arcabouço. Em paralelo, nós vamos debater os mecanismos de financiamento. Nós estamos discutindo para ter algum acordo com o Banco Mundial para ajudar a desenhar algumas dessas coisas.”
O programa está em discussão junto com o Ministério do Planejamento. “O que nós vamos fazer é realmente um arcabouço, com as grandes áreas, os valores. E nós vamos tentar também ter algum tipo de cronograma. Nós estamos trabalhando com o Planejamento para ter isso. Nós queremos que as pessoas entendam o quadro geral. Quando você faz as coisas juntas, isso pode ser muito poderoso.”
Segundo Levy, o “Brasil tem um programa significativo” na área de infraestrutura. “Poucas pessoas sabem que o setor privado investiu, nos últimos cinco anos, cerca de US$ 200 bilhões em infraestrutura, em áreas como energia, comunicações e logística, tirando o setor de óleo e gás. É importante que as pessoas vejam o quadro geral.”
Questionado se há potencial para aumentar esse valor nos próximos anos, Levy disse apenas que “há bastante demanda”.
O ministro está em Washington para a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Ele teve reuniões com investidores internacionais para apresentar uma nova sistemática de financiamento de projetos na qual o BNDES terá um papel diferente do assumido nos últimos anos. Ao invés de entrar meramente com subsídios aos projetos de investimentos, o banco de fomento vai condicionar o acesso a crédito com taxas de juros de longo prazo (TJLP) à emissão de debêntures pelas empresas.
A expectativa da Fazenda é a de que essa sistemática dinamize o mercado de capitais. O ministro terá novas reuniões com investidores, em Nova York, no início da semana que vem, para apresentar esse novo modelo.
Levy ressaltou que o Brasil tem grande tradição em fazer concessões. “Os modelos de concessão estão bastante consagrados. Eles têm atraído recursos. Acho que uma das grandes vantagens do Brasil é escala.”
O ministro enfatizou ainda que o país “tem um mercado de capitais desenvolvido”, o que facilita a realização de aportes na nova sistemática proposta pelo governo que envolve a aquisições de debêntures pelos investidores.
Fonte: Valor Econômico/Juliano Basile e Sergio Lamucci
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