BRASÍLIA - O Brasil está diversificando o leque de exportações e projetos para a China, sobretudo produtos de maior valor agregado, afirmou a presidente Dilma Rousseff durante cerimônia no Palácio do Planalto.“A China é hoje o primeiro parceiro comercial do Brasil”, sustentou a dirigente, acrescentando que o comércio bilateral totalizou em 2014 quase US$ 80 bilhões.
A declaração foi feita após cerimônia de assinatura de atos com o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, em diversas áreas, como financeira, automotiva, telecomunicações, energia, siderurgia, indústria de alimentos, mineração, gás e petróleo.
Dilma destacou também que o mecanismo de pagamento em moeda local de R$ 60 bilhões, firmado entre os dois países, contribui para mitigar oscilações monetárias.
A presidente confirmou que Brasil, Peru e China iniciarão estudos de viabilidade para uma conexão ferroviária bioceânica, cortando o continente sul-americano e ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, e classificou como um marco a exportação de 22 aeronaves pela Embraer.
Dilma também destacou o acordo firmado entre os dois países para criação de um fundo de US$ 50 bilhões, fortalecendo, em sua avaliação, opções para projetos em infraestrutura no Brasil; um crédito de US$ 10 bilhões para a Petrobras, o que, segundo ela, reflete confiança na empresa e contribuirá para o fortalecimento do pré-sal.
No caso da Petrobras, foram assinados três acordos, sendo que dois deles tiveram os valores divulgados: um financiamento de US$ 2 bilhões com a chinesa Cexim e outro de US$ 5 bilhões com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB). Pelo discurso da presidente, pressupõe-se que o terceiro acordo é de US$ 3 bilhões, o que levaria o crédito à estatal aos US$ 10 bilhões mencionados.
O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse que o acordo de cooperação assinado pela empresa com o CDB ajudará a companhia a financiar projetos na área de petróleo e gás. “Acho que este acordo está bem em linha com o que vínhamos discutindo sobre financiabilidade da companhia. Será mais um instrum ento para complementar financiabilidade”, disse ao Valor Bendine.
O executivo ressaltou que boa parte dos recursos previstos no acordo já está com a Petrobras. “Já tem uma parte tomada de US $ 3,5 bilhões. Teremos acesso a mais US$ 1,5 bilhão que estará relacionado a carta de intenções de acordos em aberto para futuramente acessar esses valores”, disse o presidente da Petrobras ao sair da cerimônia no Palácio do Planalto.
Fundo bilateral
Dilma também destacou a proposta chinesa de criação de um fundo bilateral de cooperação produtiva da ordem de US$ 20 bilhões - classificada pela presidente como de “particular importância”.
Os recursos chineses nesse fundo bilateral, afirmou a presidente, serão voltados prioritariamente para setores de siderurgia, cimento e vidros. Dilma não detalhou, por sua vez, as áreas a que será destinada a parte brasileira.
A presidente afirmou que a assinatura de um protocolo sanitário criará um marco jurídico para retomada das exportações de carne bovina para aquele país, sendo a implementação imediata, com habilitação de oito estabelecimen tos exportadores brasileiros. “Nosso pujante setor agropecuário tem condições de contribuir mais para segurança alimentar dos chineses”, disse a presidente. “Reafirmei nosso interesse de tornar efetivo e ágil o processo de habilitação de novos estabelecimentos produtores brasileiros”, completou.
Dilma afirmou ainda que a próxima cúpula dos Brics na Rússia acelerará a implantação do novo banco e dos acordos de contingenciamento propostos pelo grupo e relatou ter renovado o compromisso de atuar no G-20 em defesa das reformas de instituições financeiras multilaterais, reafirmando a crítica a uma ausência de reflexo do peso dos países emergentes na governança de organismos como FMI e Banco Mundial.
(Fonte: Valor Econômico/Lucas Marchesini e Bruno Peres/Agência Brasil)
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