A holding chinesa CK Hutchison Holdings alertou a AP Moller-Maersk que poderá tomar medidas legais contra ela, caso sua subsidiária APM Terminals assuma as operações dos portos panamenhos de Balboa e Cristóbal sem sua autorização. A comunicação ocorreu depois que as autoridades panamenhas invalidaram o contrato que permitia à CK Hutchison operar os dois terminais localizados perto do canal e propuseram que a APM Terminals administrasse as instalações durante uma fase de transição.
Em comunicado, a empresa sediada em Hong Kong afirmou que qualquer tentativa da APM Terminals de assumir o controle das operações sem seu consentimento lhe causaria prejuízos e resultaria em medidas legais contra a subsidiária da Maersk. A CK Hutchison informou também ter notificado o governo panamenho sobre uma disputa no âmbito de um tratado de proteção de investimentos, com objetivo de iniciar consultas para sua resolução. A empresa já havia indicado anteriormente que busca indenização por meio de arbitragem pela decisão tomada pelo Panamá.
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No fim de janeiro, a Suprema Corte do Panamá declarou inconstitucional o contrato concedido à empresa ligada ao empresário Li Ka-shing para operar os dois portos. A situação em torno de Balboa e Cristóbal aumentou a incerteza sobre os planos da CK Hutchison de vender 43 instalações portuárias em todo o mundo. O acordo foi prejudicado pelas tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a China.
A decisão da Suprema Corte panamenha foi interpretada como endosso à posição do presidente americano, Donald Trump, que visa limitar a influência chinesa em infraestruturas estratégicas na América Latina, incluindo o Canal do Panamá. Por sua vez, as autoridades chinesas expressaram sua discordância e alertaram para as potenciais consequências políticas e econômicas.

















