O Conselho Mundial de Navegação (WSC) elogiou, nesta quarta-feira (4), o foco anunciado pela da Comissão Europeia no fortalecimento da segurança portuária e no avanço da descarbonização marítima em sua Estratégia Portuária da UE e Estratégia Industrial Marítima. Em relação à segurança, a entidade apoia a forte ênfase no combate ao crime organizado e na proteção das principais vias de acesso ao comércio europeu, defendendo parcerias público-privadas e o compartilhamento de informações entre autoridades, companhias de navegação e outros parceiros do setor.
O presidente e CEO do WSC, Joe Kramek, afirmou que os portos europeus e as cadeias de suprimentos marítimas são tão seguros quanto seu elo mais fraco e que sem cooperação público-privada e implementação em todos os Estados-membros, a atividade criminosa migrará para outros lugares. “Os eventos recentes nos lembraram, mais uma vez, que a resiliência marítima e comercial europeia vai muito além do seu litoral. As estratégias reconhecem, acertadamente, a importância de garantir a segurança da navegação ao longo das principais rotas marítimas para manter o comércio em movimento”, disse.
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Joe Kramek elogiou também o foco da Estratégia Portuária na disponibilidade de combustíveis renováveis, a abordagem multicombustíveis e na aceleração do uso em terra de energia renovável. “O transporte marítimo de linha regular investiu mais de 125 mil milhões de euros em mais de 1.100 navios bicombustíveis entregues ou encomendados. A infraestrutura portuária deve acompanhar o investimento na frota com o fornecimento de combustível e a eletrificação”, acrescentou Kramek.
A WSC também saudou o reconhecimento, na Estratégia Marítima Industrial, da necessidade de simplificar os requisitos do EU ETS e do FuelEU Maritime. Mas ressaltou que essas estratégias não são suficientemente abrangentes na simplificação do comércio para apoiar a agenda de competitividade da União Europeira, lembrando que os serviços de transporte marítimo de linha regular movimentam cerca de 2,5 biliões de euros em comércio todos os anos, mas os navios ainda podem ser obrigados a submeter até 1.200 elementos de dados para uma única escala portuária.
De acordo com o Conselho, a implementação completa da Janela Única Marítima da UE, prevista para agosto passado, poderia poupar entre 2,2 e 2,5 milhões de horas de trabalho por ano. Segundo a entidade, o comércio marítimo intra-UE ainda enfrenta barreiras alfandegárias nas fronteiras externas, o que torna o comércio dentro da Europa mais difícil do que deveria ser.
Joe Kramek afirmou que, num verdadeiro mercado único, o transporte de mercadorias por navio dentro da Europa deveria ser tão simples quanto o transporte por caminhão. “Reduzir as barreiras aduaneiras e os entraves administrativos seria uma das maneiras mais rápidas de fortalecer a competitividade da Europa, e saudaríamos ações mais claras nessa área”, disse.


















