Após 48 horas de discussão interna, o Conselho de Administração da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) resolveu criar uma comissão de sindicância e auditar todos os contratos que tiveram participação do ex-diretor administrativo-financeiro Carlos Antônio de Souza, conhecido como Carlinhos de Souza. A data de apresentação do resultado da sindicância não foi divulgado.
Carlinhos de Souza foi protagonista de um vídeo, divulgado semana passada, em que ele expôs supostas influências políticas e contratuais na Codesp, vinculada à Secretaria de Portos da Presidência da República.
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A Codesp é responsável pelo controle e gerenciamento das operações do Porto de Santos. Após a divulgação do vídeo, Souza foi exonerado. O Diário publicou reportagem no último sábado (24).
Carlinhos é pessoa conhecida na política de Guarujá, pois foi o secretário geral da Câmara quando o hoje deputado Marcelo Squassoni (PRB) era presidente do Legislativo da cidade.
A gravação, que ‘tomou’ as redes sociais ainda não tem autoria, não identificou quem estava com ele e, ao que tudo indica, foi realizada por telefone celular e dentro de um pequeno boulevard no Centro de Guarujá.
No entanto, parte do tempo, Carlinhos de Souza faz menção a políticos de sua relação em Guarujá e revela suposta influência de três partidos na Codesp: o PR, o PP e o PRB.
Ele citou um candidato a prefeito, um vereador e três deputados federais que teriam avalizado sua contratação na Codesp. O candidato registrou um boletim de ocorrência na Polícia. Sobre a suposta influência política na empresa, a Codesp não se manifestou.
Carlinhos de Souza confessa que, no começo, não entendia e nem gostava de porto, mas que depois teria influência em contratos relacionados à Tecnologia de Informação (TI) e dragagem.
“Eu percebi que não tem nada digitalizado. Peguei o M.J. Um contrato de R$ 80 milhões de digitalização, já fiz a TR e daqui a 15 dias tá na rua. A dragagem tem dois contratos. Um de R$ 16 milhões e R$ 400 milhões. Só que um é medido por batimetria. Os caras medem, depois dragam e medem de novo e dá uma perda de 35%. E eu só olhando. Cheguei no diretor de logística e falei: por que a gente não faz um contrato de locação com equipamento nosso?”.
Empresas
Quase no final da gravação, Carlinhos de Souza revela: “Tem que comprar empresa. Essa semana eu comprei outra empresa. Isso aí a gente vai ter que combinar. Temos que ir para cima, senão. Quer ver o dinheiro é lá. Tudo é grande na Codesp”.
Depois continua: “Eu estou há oito meses sem ver nada e pagando para trabalhar. Quando eu saí da Câmara estava na zona de conforto linda, mas agora vai começar a sair, entendeu? Os contratos vão começar a sair agora. Agora, que nós pegamos a diretoria de finanças, agora o time é nosso. Vamos embora, lindo, a engenharia é nossa. É a parte que tem mais condição. A parte de TI também. Temos que colocar um cara nosso na parte de TI. A dragagem eu fechei hoje. Quarta-feira estou em Brasília fechando. Mas a dragagem começa em novembro. O contrato emergencial acaba em outubro e em novembro começa o nosso”.
Liminar
Uma liminar (decisão judicial provisória), concedida pelo juiz eleitoral de São Paulo, Márcio Teixeira Laranjo, obrigou o Facebook a excluir o perfil responsável pela publicação de vídeo. A decisão levou em conta o fato de o perfil ser anônimo e é amparada na legislação eleitoral.
A liminar também determinou ao Facebook o fornecimento à Justiça dos dados cadastrais do titular e responsável pelo perfil, tudo sob pena de multa diária de R$ 2.000,00, bem como sua notificação para que apresentasse defesa.
O autor do pedido foi o deputado federal Celso Russomanno (PRB), candidato a prefeito de São Paulo, quarto mencionado brevemente por Carlinhos de Souza.
Fonte:Diário do Litoral