Os embarques brasileiros de café totalizaram 3,040 milhões de sacas de 60 quilos em março de 2026, com queda de 7,8% em volume e de 15,1% em valores, na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou nesta segunda-feira (13) o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). De acordo com a entidade, as vendas externas do produto geraram no mês receita cambial de 1,125 bilhão de dólares.
No primeiros nove meses do ano safra 2025/2026, as exportações de café chegaram a 29,093 milhões de sacas, 21,2% a menos que no mesmo intervalo do período anterior. Em receita, as remessas renderam 11,431 bilhões de dólares, com alta de 2,9% em relação ao montante registrado de julho de 2024 a março de 2025.
PUBLICIDADE
O Cecafé informou ainda que, no primeiro trimestre deste ano, os embarques de café brasileiro foram de 8,465 milhões de sacas, com redução de 21,2% frente às 10,739 milhões exportadas de janeiro a março do ano passado. A receita cambial foi de 3,371 bilhões de dólares, 13,6% menor do que os 3,901 bilhões de dólares dos três primeiros meses de 2025.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, atribuiu a queda na exportação ao período de entressafra da cafeicultura no Brasil e a condições financeiras dos produtores. Ele explicou que a nova safra começará a chegar ao mercado em abril no caso dos cafés canéforas, que são o robusta e o conilon, e no fim de maio no do tipo arábica.
Segundo Ferreira, os cafeicultores estão capitalizados e analisam os melhores momentos para negociar seus cafés remanescentes e, por isso, há menos disponibilidade do produto. Além disso, ele alegou que o cenário logístico no Brasil e a geopolítica global impactaram as exportações. “A infraestrutura dos portos segue interferindo na capacidade de exportação, com centenas de contêineres aguardando embarque e gerando prejuízos aos exportadores”, afirmou.
Ferreira lembrou ainda que as negociações com os Estados Unidos vêm sendo retomadas gradualmente após o tarifaço, mas ainda há incertezas sobre a política comercial americana. Ele citou também que o fechamento do Estreito de Ormuz, devido à guerra no Oriente Médio, limita negócios por causa do aumento de custos para importadores, com fretes e seguro marítimo mais caros.
De acordo com os dados divulgados pelo Cecafé, a Alemanha foi o maior importador dos cafés do Brasil no primeiro trimestre de 2026, com 1,192 milhão de sacas compradas, equivalentes a 14,1% dos embarques totais do país, mas 15,63% menores que no mesmo período de 2025. Os Estados Unidos foram o segundo país em compras do produto, com 936.617 sacas e queda de 48,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e 11,1% do total. Em seguida, aparecem Itália, com 885.162 sacas e alta de 10,2%, Bélgica, com 527.456 sacas e mais 4,5%, e Japão, com 440.085 sacas e redução de 35%.
O café tipo arábica foi o mais exportado, com 6,712 milhões de sacas e 79,3% do total embarcado, mas com queda de 25,8%. Com o equivalente a 963.168 sacas e 11,4% de tudo que foi embarcado, o café solúvel foi o segundo mais vendido, mesmo com redução de 1,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Os cafés canéforas, com 780.911 sacas, com alta de 11% e 9,2% do total, e o produto torrado e torrado e moído, com 9.867 sacas, completam a lista.
De acordo com o Conselho, os cafés considerados com qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 19,1% das exportações no trimestre, com 1,618 milhão de sacas, 42,7% a menos que no mesmo período de 2025. Com preço médio de 451,56 de dólares por saca, eles geraram receita cambial de 730,751 milhões de dólares, o que correspondeu a 21,7% do obtido com todos os embarques de café, mas 37,7% menor do que o registrado nos três primeiros meses de 2025.
O Porto de Santos foi o principal terminal exportador dos cafés do Brasil no primeiro trimestre, com 6,409 milhões de sacas e 75,7% no total, seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro, com 20,3% dos embarques e 1,716 milhões de sacas. No Porto de Paranaguá, no Paraná, foram embarcadas 108.293 sacas, equivalentes a 1,3% do montante enviado ao mercado externo.
















