No primeiro trimestre de 2026, o Porto de Antuérpia-Bruges movimentou 65,5 milhões de toneladas de carga marítima, com queda de 3,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, informou nesta quinta-feira (23) a autoridade portuária. O movimento da carga geral, em particular contêineres e carga geral convencional, caiu 4,4%, enquanto o da carga a granel recuou 0,6% e o tráfego RoRo aumentou.
Nos três primeiros meses do ano, a movimentação de contêineres diminuiu 5,5% em toneladas e 2,6% em TEUs em comparação com o mesmo período do ano anterior. A autoridade portuária atribuiu o resultado ao forte movimento registrado em 2025, quando a reestruturação das alianças de contêineres gerou altos volumes de entrada, e à queda das exportações da Europa Ocidental.
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A autoridade portuária destacou ainda que o início do ano foi marcado por condições climáticas extremas, com tempestade de neve e onda de frio prolongada em janeiro, seguidas por tempestades no Golfo da Biscaia até meados de fevereiro e que interromperam operações de navegação e de terminais. Além disso, uma greve de quatro dias de trabalhadores contra a reforma da previdência teve impacto nos resultados. Esses fatores determinaram desvios de navios para outros portos, além de impedirem escalas planejadas, por falta de capacidade nos terminais.
A estimativa é de que houve perda de 100.000 TEUs, equivalentes a aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, na movimentação de contêineres. Mas, a partir de meados de fevereiro e particularmente em março, os volumes se recuperaram, evidenciando a necessidade de capacidade adicional para movimentação de contêineres.
Segundo a administração do terminal, o transporte de carga geral também sofreu pressão principalmente devido à queda nas exportações de aço para os Estados Unidos, México e Canadá e à entrada em vigor do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) em 1º de janeiro. Em contrapartida, o segmento RoRo registrou crescimento, impulsionado por maiores volumes de veículos novos e equipamentos pesados. De acordo com a entidade, o tráfego RoRo de curta distância continua afetado pelo Sistema de Comércio de Emissões (SCE) da União Europeia, principalmente em longas distâncias, embora a migração para o transporte rodoviário pareça diminuir por causa do aumento dos preços do diesel.
O transporte de granéis sólidos caiu 4,9% no trimestre, devido, segundo a autoridade portuária, entre outros fatores, à redução nos volumes de fertilizantes e ao desaparecimento do tráfego de carvão. Já o transporte de granéis líquidos cresceu 0,2%, graças ao desempenho em março. Os volumes de gasolina, nafta, óleo combustível e GNL aumentaram, mas os de diesel, querosene e GLP diminuíram.
A avaliação é que os resutados são influenciados por mudanças nas condições de mercado, alterações nas matérias-primas, antecipação da proibição europeia de importação de GNL russo, bem por tensões geopolíticas e dinâmicas de mercado. E de que o fluxo de produtos químicos permanece sob pressão devido à fragilidade da indústria química europeia.
O impacto direto do conflito no Oriente Médio permaneceu limitado no primeiro trimestre, e as quedas nas importações e exportações para e do Golfo Pérsico, de 12% e 49% respectivamente, durante o período, são atribuídas em grande parte a interrupções relacionadas ao clima. Mas a partir do fim de março os primeiros efeitos se tornaram visíveis, e em 23 de março, chegou a Zeebrugge o último navio-tanque de GNL vindo do Catar, e as linhas de transporte de contêineres ajustaram seus cronogramas de navegação para portos alternativos no Oriente Médio e no Mediterrâneo Oriental.
Atualmente, o impacto mais significativo da guerra no Oriente e do bloqueio do Estreito de Ormuz é indireto, com alta de preços da energia e dos combustíveis, que enfraquecem ainda mais a competitividade da indústria europeia. Ao mesmo tempo, os baixos níveis de armazenamento de gás na Europa, que precisarão ser reabastecidos antes do próximo inverno, e as interrupções nas cadeias de suprimentos de certos produtos estão criando incertezas adicionais e pressão inflacionária.

















