Aumentar o número de berços de atracação do Porto de Santos, aprofundar seu canal de navegação e variar o tipo da carga operada. Essas medidas são essenciais para impulsionar a eficiência das atividades no complexo portuário, conforme uma pesquisa desenvolvida por uma aluna do curso de Logística da Faculdade de Tecnologia (Fatec) Baixada Santista - Rubens Lara, em Santos.
O estudo foi elaborado pela estudante Isadora Siqueira, orientada pelo professor da Fatec Mario Nogueira, e integrou seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Ela também é aluna de Engenharia Mecânica na Universidade Santa Cecília (Unisanta), também em Santos. Prestes a concluir a primeira graduação, já se prepara para iniciar o mestrado na Universidade de São Paulo (USP).
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A pesquisa identificou que essas três medidas podem tornar os embarques e os desembarques do Porto mais eficientes. O aprofundamento do canal possibilitará que navios maiores e mais carregados possam operar no complexo, otimizando o uso do costado. O aumento da taxa de utilização do cais e dos números de berços de atracação permitirá a ampliação da rotatividade de embarcações. E quanto a variar o tipo das cargas movimentadas, a ideia é dar preferência a produtos com maior valor agregado e destinar aos portos do Nordeste as commodities produzidas na região Centro-Oeste.
“Esse método estabelece uma taxa de eficiência relativa. Não é algo absoluto, é um pontapé inicial. Isso pode permitir uma análise muito mais profunda e até incentivar outros alunos para fazer pesquisas de eficiência operacional”.
Estudo
Pioneira neste tipo de estudo na Fatec-Baixada Santista, a estudante Isadora Siqueira utilizou modelagens matemáticas para avaliar a evolução das operações no complexo marítimo entre 1996 e 2016.
“Eu utilizei essa base matemática (a modelagem da operação), que é uma análise fria, e o interessante é que ela se afasta da experiência, do conhecimento empírico. Os autores têm uma certa opinião e a matemática livra a gente disso”, explicou Isadora.
A estudante utilizou a técnica de análise envoltória de dados aplicada ao Porto. Trata-se de uma metodologia de avaliação de desempenho que compara uma eficiência revelada, tida como otimizada, com o desempenho das unidades analisadas. A ideia é estabelecer um indicador de avaliação da eficiência em um determinado setor. “A minha pesquisa é um pontapé inicial para esse tipo de modelagem matemática porque não havia nenhum tipo de estudo da eficiência utilizando essa ferramenta”, destacou.
Isadora pesquisou dados de movimentação (tonelagem) de granéis sólidos, a frequência de atracação de navios e de berços disponíveis e, ainda, a utilização do cais. Foram coletadas informações relativas aos 20 anos estudados, de modo a compará-los. E também foram considerados os dois marcos regulatórios do setor portuário implantados no período – a Lei de Modernização dos Portos, de 1993, e a nova Lei dos Portos, de 2013 – e a crise internacional de 2009 – que acabou não afetando muito a região.
“Como eu analisei a extensão de cais e o número de berços, eu pude ver a influência deles na eficiência do Porto. O que eu tinha como hipótese? Um delay de três ou dois anos dos efeitos dos marcos regulatórios, em que há um aumento grande da eficiência. E foi realmente isso que eu acabei notando”, explicou Isadora.
Fatec quer ampliar pesquisas operacionais no Porto
A Faculdade de Tecnologia (Fatec) Baixada Santista - Rubens Lara pretende ampliar as pesquisas operacionais envolvendo as atividades do Porto de Santos. A ideia é incentivar os alunos da instituição de ensino a elaborar projetos de iniciação científica nessa linha.
A pesquisa sobre a eficiência do complexo marítimo realizada pela aluna Isadora Siqueira, e que integrou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), utilizou a técnica de análise envoltória de dados para estudar as operações com granéis sólidos de origem vegetal do Porto. O projeto foi inédito na Fatec e a proposta é que se torne um ponto de partida para que novos estudantes se aprofundem na técnica para analisar o Porto de Santos.
Neste contexto, a estudante, que pretende iniciar o mestrado na Universidade de São Paulo (USP), pode retornar à faculdade como co-orientadora das pesquisas, explica o professor Mario Nogueira, que orientou Isadora em seu TCC. “Não é muito fácil encontrar alunos interessados em desenvolver modelagens matemáticas”, destacou o educador.
“A pesquisa operacional, na realidade, pode ser tanto dentro do campo da programação linear, como dentro da simulação. Ela (Isadora) trabalhou mais com programação linear, fez uma pesquisa de cunho longitudinal com corte transversal. Ela fez exatamente o período de 1996 até 2016. E a gente fala que é longitudinal de corte transversal porque ela não acompanhou ano a ano, mas fez cortes de acordo com o que foi colhido”, explicou.
Para Isadora Siqueira, a parte mais complicada da pesquisa sobre o Porto de Santos foi a obtenção de informações que pudessem ser inseridas nos modelos matemáticos. Mas, mesmo assim, segundo a estudante, é possível aplicar esta técnica em outras demandas relacionadas às operações e aos serviços realizados no complexo marítimo santista. </CW>
“Foram muitas questões matemáticas, mas isso pode ser aplicado a qualquer questão no Porto de Santos. O interessante é fazer com que os alunos se incentivem e gostem da modelagem matemática para aplicar em outras situações e, assim, tirarem um proveito disso”, destacou a estudante da Fatec.
Fonte: Tribuna online/FERNANDA BALBINO