A viabilidade do projeto de ampliação do Porto de Santos, com a construção de um complexo de terminais de águas profundas fora do Canal do Estuário, na costa de Guarujá, também foi debatido por executivos e acadêmicos durante o Simpósio Preparatório para a Pianc/Copedec 2016, na semana passada.
Não por acaso, o empreendimento foi apelidado como Santosvlakte, referência a Maasvlakte, a área de expansão do Porto de Roterdã, na Holanda, construída na costa do país, ao lado da foz do Rio Maas. A instalação europeia foi construída pela autoridade portuária holandesa para abrigar instalações capazes de receber navios de grandes dimensões.
O primeiro passo para viabilizar o projeto santista foi um acordo firmado entre a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária de Santos) e o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), iniciado em 2014. O contrato prevê que a instituição de ensino irá pesquisar os fenômenos estuarinos, oceânicos e meteorológicos da região, como as condições das marés, das correntes e dos ventos – dados necessários para se planejar a construção do complexo de terminais.
Atualmente, Docas e USP analisam a realização de novas parcerias, a fim de aprofundar os estudos necessários para o Santosvlakte. Para isso, avalia-se até a construção de um modelo reduzido da baía e do estuário de Santos, para provas e testes – seu projeto foi apresentado durante o simpósio preparatório. Ele seria implantado em uma parte das instalações da Fundação do Centro Tecnológica de Hidráulica da universidade, na Capital.
Professor da UniSantos e da Escola Politécnica da USP, Paolo Alfredini acredita que, com base em pesquisas realizadas nas últimas três décadas, a instalação de uma estrutura portuária nas proximidades da Baía de Santos, em mar aberto, é possível. “É algo seguro, que não sofrerá influência impeditiva das correntes, por exemplo. Mas requer cuidados e vamos verificar os limites”, explicou.
Estudos encomendados pela Codesp demonstram que, até 2024, o cais santista deverá ter mais restrições operacionais do que hoje. Não somente nos acessos terrestre, mas também no aquaviário, devido ao aumento das dimensões dos navios e da demanda das empresas marítimas. Nessa situação, a construção dos terminais de águas profundas na costa é uma solução para garantir a expansão das operações portuárias na região.
Cronograma
Para o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Mário Povia, o Santosvlakte é algo para daqui 20 ou 30 anos, o que não é muito tempo considerando as pesquisas que terão de ser realizadas para implantá-lo e os procedimentos para se aprovar um empreendimento como este. “O aprofundamento é algo imediato e a expansão tem que ser pensada a longo prazo. Mas temos que executá-la, se essa for a alternativa que garanta o crescimento do Porto e do País”, afirmou.
Povia acredita que a Conferência de Engenharia Portuária e Costeira em Países em Desenvolvimento (Copedec), a ser realizada no Rio de Janeiro, no próximo ano, será fundamental para aprimorar os projetos previstos para os portos brasileiros. Isso acontecerá, segundo ele, com a aproximação de pesquisadores, profissionais e acadêmicos que, juntos, poderão articular ações concretas.
Fonte: A Tribuna online
PUBLICIDADE