Samarco recupera clientes internacionais que tinha até 2015, diz presidente

A Samarco, em recuperação judicial, carrega hoje o centésimo navio de pelotas de minério de ferro. A embarcação de cabotagem vai ser abastecida com 55 mil toneladas de pelotas de minério, que serão entregues à CSN, no Rio de Janeiro. Mas o embarque para o mercado brasileiro é uma exceção. Do total de navios carregados pela Samarco, 95% tiveram como destino clientes da Europa, Ásia, do Oriente Médio, Norte da África.

“A companhia teve que recuperar a credibilidade no mercado internacional depois do rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Mas hoje recuperamos os clientes que tínhamos antes do acidente”, disse o diretor-presidente da Samarco, Rodrigo Vilela.

A Samarco não exporta para a China, que costuma comprar pelotas de minério no mercado à vista. A companhia prefere vender para clientes de outros países, com contratos de longo prazo. Devido à diversificação dos mercados de destino, disse Vilela, a Samarco tem conseguido um desempenho melhor que a média do mercado.

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Vilela disse que a companhia tem expectativa de preços menores do minério de ferro neste ano. O índice Platts prevê que o produto atinja um valor abaixo de US$ 150 a tonelada neste ano, em média.

“A guerra da Ucrânia traz um desbalanço muito grande no mercado. Esse desequilíbrio está levando a um preço do minério mais parecido com o do ano passado, de US$ 140 a tonelada”, afirmou Vilela. A Ucrânia está entre os maiores exportadores de pelotas de ferro no mundo.

No mercado internacional, há expectativa de queda na demanda por minério de ferro, devido à inflação alta e à desaceleração de economias, principalmente da China. Esses fatores levariam a uma queda nos preços mais intensa.

De acordo com Luiz Fabiano Saragiotto, diretor de recuperação da Samarco, os preços do minério ainda estão muito voláteis e é difícil fazer previsões até no curto prazo. Analistas de mercado indicam que o preço de US$ 140 a tonelada não é sustentável no médio prazo. As previsões são de queda no preço para US$ 90 em 2023, estabilizando em US$ 70 no longo prazo.

Balanço de 2021
A Samarco, que está em recuperação judicial, encerrou o ano passado com prejuízo líquido de R$ 10,05 bilhões, ante um prejuízo de R$ 4,59 bilhões em 2020. A receita líquida da companhia atingiu R$ 8,9 bilhões no ano passado, ante R$ 115,6 milhões no ano anterior. O lucro gerencial ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização foi de R$ 6,48 bilhões, de acordo com a companhia.

A companhia voltou a operar em dezembro de 2020, após ficar sem operar desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015.
A Samarco produziu no ano passado 7,88 milhões de toneladas de pelotas de ferro e finos de minério. Hoje, o volume produzido desde a retomada soma 10 milhões de toneladas. A empresa opera com 26% da sua capacidade operacional. Para o ano de 2022, a previsão é produzir 8 milhões de toneladas.
Para 2022, a companhia projeta investimentos de R$ 1,2 bilhão. O valor será usado na retomada gradual das operações , na melhoria da infraestrutura e nos projetos de descaracterização da barragem e cava de Germano, em Mariana (MG).
Fonte: Valor


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