A Santos Brasil, maior operadora brasileira de terminais portuários de contêineres, vai analisar todas as oportunidades para contêineres e veículos dentro do programa de arrendamentos, cuja lista foi relançada pelo governo na terça-feira. Com dinheiro em caixa, a empresa vislumbra potencial no Norte e Nordeste, notadamente em Manaus (AM), que terá um terminal para contêineres, e Suape (PE), onde serão leiloadas instalações para contêineres e veículos.
Também há interesse no porto de Santos (SP), onde haverá duas licitações que são o foco da empresa. Uma para exploração do novo terminal no Saboó, para carga geral, contêiner e veículos; outra, para um terminal somente de contêiner, em área contígua ao maior ativo da empresa, o Tecon Santos.
"Vamos analisar tudo", disse o presidente Antônio Carlos Sepúlveda. Mas o edital do Saboó deverá ter cláusula barrando, na prática, a participação da Santos Brasil, pois ela já opera um terminal de veículos no porto e, se levar o leilão, terá o monopólio do nicho em Santos.
Sepúlveda destaca, contudo, que o apetite da empresa dependerá de como saírem os editais. Caso o governo consiga mudar o critério de licitação do primeiro bloco (29 áreas em portos públicos do Pará e em Santos) para o maior valor de outorga, há grandes chances de os estudos aprovados pelo TCU terem de ser refeitos.
Assim como a maioria dos investidores interessados em portos, Sepúlveda aprovou a volta da outorga onerosa, regra pela qual vence o leilão quem der o maior lance. "É um aperfeiçoamento." Ele destaca que a concessão portuária tem dinâmica diferente da ferroviária ou rodoviária, e que por isso o critério de menor preço ou maior movimentação para arrematar o ativo não é uma boa opção.
"A logística muda muito rapidamente. Uma coisa é uma estrada que tem sempre eixo passando em cima, outra coisa é porto. Hoje o navio é de um jeito, em pouco tempo é de outro. O formato de preço mínimo engessa o investimento, em poucos anos a instalação está obsoleta. A outorga dá mais liberdade de investimento", acredita.
Mesmo atenta aos novos arrendamentos, o foco da empresa hoje é a prorrogação do contrato de exploração do Tecon Santos, que vence em 2022. Em troca de receber os 25 anos adicionais, a empresa se compromete a investir R$ 3,16 bilhões na ampliação e aprofundamento do cais, além de em tecnologia e equipamentos. Além do Tecon Santos, a empresa entrou com pedido na Secretaria de Portos (SEP) para antecipar a renovação do arrendamento do Tecon Vila do Conde, no Pará. Neste caso, o desembolso seria de R$ 68,4 milhões.
Fonte: Valor Econômico/Fernanda Pires | De Santos
PUBLICIDADE