Em recente encontro, Leandro Barreto, diretor de Análises da brasileira Datamar Consulting, revelou que uma grande riqueza surgirá para o Brasil nos próximos anos: a soja. É claro que o produto já gera dólares para o país, mas o ganho irá subir muito. Dados internacionais revelam que o consumo de carne irá crescer de forma sem precedentes no mundo, e que só a China tem planos de inserir nesse consumo 440 milhões de seus habitantes – duas vezes a população do Brasil em apenas sete anos. O maior uso da soja é o de comida para o gado. Segundo a FAO, em 2050 a população mundial sairá dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões de habitantes.
Líder mundial em soja, os Estados Unidos avisaram que não têm como elevar sua produção a partir do total alcançado em 2015, por falta de terras para cultivo. Nesse contexto, o Brasil, sem desmatar um metro quadrado, pode elevar enormemente sua produção, que deverá pular dos atuais 86 milhões de toneladas para 116 milhões, por volta de 2023. Brasil, Argentina e Estados Unidos produzem 85% da soja mundial, e a produção argentina está em queda.
O segredo está no fato de que, como praticamente não tem produção de gado confinado, o Brasil usa 198 milhões de hectares para pastagens, o triplo do total hoje destinado a cultivo. Assim, com redução nas pastagens, o Brasil poderá ampliar a produção de soja sem desmatar um centímetro, apenas tirando espaço das pastagens. Essa nova produção deverá ocorrer no Centro-Oeste e será escoada por portos do Norte, gerando economia de 34% nos custos. Ao mesmo tempo, a ampliação do Canal do Panamá trará ao Brasil navios maiores, destinados à China. Será a junção de mais produção do Centro-Oeste com escoamento pela região chamada de Arco Norte e ainda a dinamização do Canal do Panamá ampliado.
Segundo Barreto, carne significa soja. Para se produzir um quilo de frango, se usa 575 gramas de soja e, para um quilo de carne bovina, 173 gramas. O trono de rei da soja, que já foi de Olacir de Moraes e depois de Blairo Maggi, agora é ocupado por Erai Maggi – primo de Blairo – que também já é um dos príncipes na pecuária bovina.
Os sistemas rodo-hidroviários dos rios Madeira e baixo Tapajós movimentaram 5,6 milhões de toneladas na safra 2013/14 e deverão exportar em torno de 10,5 milhões na safra em curso, num salto de 87,5% em relação ao ciclo agrícola anterior. A expansão da capacidade dos terminais de Vila do Conde, no Pará, e a entrada em operação do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), que deve atingir capacidade plena em setembro deste ano, vão desanuviar os portos de Santos e de Paranaguá. Projeta-se uma capacidade de exportação de 30 milhões de toneladas em 2025 pelo Norte.
Fonte: Monitor Mercantil/Sergio Barreto Motta
PUBLICIDADE