Estudo apresentado pela Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostra que os terminais autorizados responderam por 64,6% de toda a movimentação portuária do Brasil e por 78,8% em portos interiores em 2025. De acordo com o levantamento, os Terminais de Uso Privado (TUP) registraram alta de 7% em suas operações no ano passado, com 906,1 milhões de toneladas movimentadas.
Segundo a ATP, há no Brasil 287 terminais autorizados, dos quais 221 estão em operação, sendo cerca de dois terços para movimentação por via marítima e aproximadamente um terço em águas interiores. De acordo com o levantamento, os TUPs em rios movimentaram no ano passado 72 milhões de toneladas, contra 19,3 milhões nos portos organizados. Ainda segundo o levantamento, de 2010 a 2025 a alta de volume movimentado em terminais privados em águas interiores chegou a 210%.
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Segundo os dados da ATP, o aumento de 7% na movimentação de cargas dos TUP em 2025 foi puxado por granéis sólidos, que registraram 538,1 milhões de toneladas movimentadas e alta de 7,19%, granéis líquidos e gasosos, com 271,7 milhões de toneladas e elevação de 7,87%, e carga conteinerizada, com 56,9 milhões de toneladas e avanço de 6,09%. As cargas com maior índice de crescimento no ano passado foram cimento, com 50,80%, coque de petróleo, com 42,38%, fertilizantes, com 25,86%, soja, com 18,33%, e óleo de soja, com 17,95%.
Na lista dos terminais autorizados com maior aumento de volume movimentado, apareceram nas primeiras posições em 2025 o TUP Vetorial Logística, em Ladário, no Mato Grosso do Sul, com crescimento de 380,2%, o da Atem, em Belém, no Pará, com avanço de 332,1%, e o Terminal da Granel Química Ladário, também no Mato Grosso do Sul, que apresentou aumento de 274%.
O estudo da ATP alerta que, apesar dos avanços registrados, há problemas que afetam o setor, como os atrasos em processos de licenciamento ambiental. De acordo com a Associação, eles se devem à judicialização, morosidade administrativa, inclusive da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), e invasões de áreas, além de efeitos remanescentes da pandemia de Covid-19.O presidente da entidade, Murillo Barbosa, disse que os números demonstram que os terminais autorizados são hoje pilares da logística brasileira e que, além de ampliarem a capacidade operacional, geram desenvolvimento local, atraem investimentos e aumentam a competitividade do Brasil. Mas, segundo ele, é preciso ainda superar gargalos regulatórios e de licenciamento para que o setor continue crescendo.


















