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Artigo - Adequação da infraestrutura retroportuária a fim de atender a demanda de movimentação de contêineres nos portos catarinenses

Que Santa Catarina é destaque em movimentação portuária de contêineres, com participação de aproximadamente 20,65% da movimentação nacional (Antaq, 2021), isso já é sabido, destacando-se as operações do Complexo Portuário Itajaí-Navegantes, com uma participação de 65,98% da movimentação (jan-out 2021) de SC, e o Porto Itapoá alcançando um valor próximo a 31,77% da movimentação do estado.

Também é sabido que a inexistência ou escassez de infraestrutura retroportuária no entorno dos portos inviabiliza a movimentação de carga, gerando aumento nos custos logísticos. Logo, para auxiliar esta questão, decidimos reunir uma equipe de alunos dos cursos de Engenharia Naval e Engenharia de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina juntamente com o mestre engenheiro naval Gustavo Costa, para mapear a infraestrutura retroportuária dos complexos portuário de Itajaí-Navegantes e Itapoá a fim de identificar possíveis gargalos de infraestrutura retroportuária, indicando quais regiões estão com grande concentração ou déficit de infraestrutura, possibilitando o desenvolvimento de planos de investimentos para suprirem as possíveis demandas reprimidas.

Dentre os resultados obtidos, observou-se que o Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes possui uma maior concentração de infraestrutura retroportuária, como por exemplo 109 serviços ofertados quando comparado com 42 serviços de Itapoá, destacando principalmente as empresas que prestam serviços de armazenagem de carga geral e refrigerada (57 empresas em Itajaí-Navegantes e somente 18 em Itapoá); fato este que está atrelado à maior movimentação de contêineres, praticamente o dobro da movimentação de Itapoá.

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Quanto ao cálculo da área total de retroárea (em m2), Itajaí-Navegantes possui uma área total de 5.406.460 m2, enquanto o Porto Itapoá possui 798.950 m2. Ao analisar a área de armazém geral entre os complexos, pôde-se verificar que o Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes possui um total de 80,58% de representatividade. Já ao desmembrar a análise por m2 disponível para armazém geral coberto, o Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes possui um total de 87,77% de representatividade. Verificou-se ainda que a área disponível para operações de cross-docking no Complexo de Itapoá e a quantidade de vagas para caminhões possuem representatividade de 23,08% e 16,55%, respectivamente.

Apesar de a infraestrutura retroportuária do Complexo Itapoá atualmente ser inferior à do Complexo Itajaí-Navegantes, deve-se levar em conta o fato de o Porto Itapoá ter apenas 10 anos e vir apresentando um crescimento constante de sua movimentação. Assim, para efeitos de comparação entre os complexos portuários, foi desenvolvido um indicador de retroárea que relaciona a movimentação em TEUs de cada porto pela retroára (m2), conforme pode ser visualizado no tabela abaixo.
 Tabela

Observa-se uma crescente variação do indicador de Itapoá no período de 2011 a 2014 (quando o Porto Itapoá estava iniciando suas operações) e que a partir de 2015 o indicador torna-se estável entre 0,8 e 1,0 TEUs/m2. Já o complexo Itajaí-Navegantes apresenta o indicador mais estável ao longo dos anos, entre 0,20 e 0,26 TEUs/m2, refletindo uma sincronização entre o aumento da capacidade da retroárea e o aumento da movimentação portuária.

Considerando-se um cenário conservador de crescimento da movimentação de contêineres no Porto Itapoá e mantendo-se constante a infraestrutura retroportuária atual, o indicador de retroárea aumenta em 30%, com valor próximo a 1,17 TEUs/m2, indicando a necessidade de um maior aumento nas infraestruturas da retroárea do Porto Itapoá para atender o crescimento na movimentação de contêineres e melhorar o nível de serviços aos clientes.

Importantes ativos para o desenvolvimento na região, que além de Itapoá envolve o município vizinho, Garuva, já estão próximos de se tornar realidade. Entre eles, a duplicação da rodovia SC-416, um elemento crucial para o desenvolvimento regional. Já em fase de projeto executivo, a obra significa o aumento da capacidade de tráfego de mercadorias para e do Porto Itapoá, facilitando a atração de novos investimentos.

Um outro fator explica a constante evolução da área retroportuária do porto: há cerca de 10 milhões de metros quadrados de área livre entre Itapoá e Garuva que poderiam sediar inúmeras operações ligadas a atividade portuária como o setor de transportes, armazenagem, câmaras frigoríficas, entre outros. Adicional oportunidade latente em Itapoá e região é a possibilidade de se planejar o desenvolvimento vindouro, promovendo um equilíbrio entre as questões sociais, ambientais, mas também logística.

Vanina DurskiProf. Dra. Eng. Vanina Durski é professora do Departamento de Engenharias da Mobilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Campus Joinville


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