Wilson Sons

Artigo - Soluções para uma logística sustentável

A inflação descontrolada no preço dos combustíveis é um problema grave para a logística, sobretudo, em um país com a matriz baseada desequilibradamente no sistema modal rodoviário, como é o caso do Brasil. No transporte feito por caminhões, o diesel representa aproximadamente 40% do custo total do serviço. E esse índice sobe nos trajetos em estradas precárias, condição comum na maioria das regiões.

Infelizmente, os operadores logísticos não são capazes de absorver essa variação anormal nos preços de um insumo tão relevante, e os contratos são inevitavelmente impactados. Ainda assim, é fundamental destacar que os reajustes dos combustíveis em casos como esse nunca são repassados integralmente. Sempre há uma negociação e o transportador acaba compartilhando o “prejuízo” com o cliente.

Mesmo em tempos normais, para garantir a previsibilidade, os reajustes no diesel não causam efeito imediato no contrato e o operador segue a operação suportando por um tempo o aumento de custos. Por isso, um dos principais critérios para a escolha de um operador logístico é a comprovada resiliência financeira da empresa.

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Em momentos como o que atravessamos, no entanto, não há como fugir dos ajustes emergenciais e o custo do transporte sofre variações anormais. Porém, além de correr para apagar o incêndio, também é uma boa hora para avaliar avanços estruturais que servirão para mitigar novas anomalias como a atual, que cedo ou tarde acontecem. É preciso planejar medidas mais inteligentes, sustentáveis e promotoras do desenvolvimento, ao invés de mecanismos de controle de preços.

De início, os operadores devem olhar para dentro e investir na modernização dos equipamentos e na performance das operações. É hora de incorporar veículos elétricos e ter mais controle sobre a gestão do consumo de combustível. Investir em tecnologia para desenhar rotas dinâmicas e mais eficientes, sobretudo no e-commerce, e construir projetos baseados em intermodalidade, ou seja, com trechos complementares de rodovia e hidrovia, por exemplo. Um trajeto mais longo pode ser mais barato se você utilizar um barco em parte do caminho, por exemplo.

Ao mesmo tempo, é preciso estimular a administração pública a tomar iniciativas que promovam a sustentabilidade da atividade. É urgente definir um modelo para o mercado de combustíveis e estabelecer qual será o papel da Petrobrás nesse cenário. Independentemente do formato escolhido, será melhor do que essa insegurança que o setor experimenta hoje. E isso não é de interesse apenas da logística, já que o custo dos transportes acaba afetando toda a economia.

Também é necessário promover rapidamente uma reforma tributária. Não se trata apenas de baixar impostos, o que é importante, mas principalmente de simplificar o processo. Movimentar cargas pelo Brasil exige um esforço burocrático imenso que não faz sentido e custa muito caro. Precisamos gastar menos tempo e dinheiro com procedimentos administrativos e focar no desenvolvimento das operações.

E, claro, temos que acelerar a recuperação da infraestrutura. Mais hidrovias, terminais, portos, aeroportos, centros de distribuição, rodovias funcionais e, claro, integração entre todos esses elos. Como conceito para esse esforço, é interessante ilustrar que é mais barato pagar pedágio do que rodar em uma estrada de terra ou de asfalto cheia de buracos. Então, se a solução viável é buscar parceiros na iniciativa privada para desenvolver a infraestrutura, vamos fazer isso com rapidez e qualidade.

A logística é uma atividade de interesse público, além de ser fundamental para enfrentarmos o desafio de recuperar a economia após dois anos de tantas dificuldades. Controlar a escalada dos preços dos combustíveis agora é fundamental, mas é preciso construir novas soluções para o Brasil avançar nesse terreno.

Jonatas Spina Borlenghi é presidente da IBL Logística


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